Discurso de Obama faz apoio à reforma da Saúde crescer

Com fala no Congresso, aprovação ao plano chega a 67%, diz pesquisa

AP, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

Ao discursar na quarta-feira diante do Congresso, o presidente dos EUA, Barack Obama, pode ter alcançado seu principal objetivo: mobilizar congressistas e a opinião pública para destravar a reforma do sistema público de saúde. Segundo uma pesquisa da rede de TV CNN divulgada ontem, o apoio à mudança - já considerada a principal iniciativa doméstica do governo Obama - subiu 13% com o discurso do presidente, indo de 53% a 67%.

Um em cada sete americanos que assistiu ao pronunciamento, concluiu a pesquisa, mudou de opinião e passou a apoiar a ofensiva governista.

Já encampada - sem sucesso - pelos governos Richard Nixon, George H. W. Bush e Bill Clinton, a campanha pela reforma no sistema de saúde consumiu nos últimos meses parte da popularidade de Obama, eleito com uma aprovação de mais de 70%. A piora na guerra no Afeganistão acelerou a queda e, atualmente, o índice de apoio ao presidente está em 57%, segundo pesquisa do jornal The Washington Post.

Ontem, o líder do comitê de Finanças do Senado, o democrata Max Baucus, afirmou que o discurso de Obama aumentou a confiança de congressistas tanto democratas quanto republicanos que tentam negociar uma reforma bipartidária. "A fala do presidente deu novo fôlego ao que estávamos fazendo", disse Baucus.

A líder do governo no Congresso, Nancy Pelosi, disse esperar que Obama assine a lei que selará a reforma até o fim do ano. O vice-presidente, Joe Biden, foi ainda mais otimista e declarou que Obama pode passar a mudança já no feriado de Ação de Graças, em novembro.

Segundo ele, o pronunciamento de ontem "reposicionou" o debate e agora há "consenso bipartidário" em relação à mudança, à exceção da discussão sobre a criação de uma agência estatal de Saúde. "Acho que o mais importante é que Obama desbancou mitos que haviam sido criados, como a ideia de que eutanásia estaria em discussão, ou que imigrantes ilegais teriam cobertura", completou.

TRILHÕES DE DÓLARES

Vozes de peso do Partido Republicano, no entanto, adotaram um tom mais cauteloso. Rival derrotado por Obama nas eleições do ano passado, o senador John McCain disse apoiar a reforma, "mas a conta a ser paga pelo plano ainda não fecha", defendeu.

Oficialmente a Casa Branca fala em um custo de US$ 900 bilhões com a mudança, em dez anos. Especialistas, porém, afirmam que a reforma poderá envolver um montante de até US$ 2,5 trilhões.

"Temos de realizar (a reforma), mas de uma forma bipartidária", insistiu McCain. "Não podemos repassar mais um trilhão de dólares em dívidas para a próxima geração. Isso seria um roubo."

Em discurso à Associação Americana de Enfermagem ontem, Obama reforçou a mensagem que tentou passar ao Congresso na quarta-feira. "O tempo de conversas, porém, está terminando", completou o presidente.

Obama ainda agradeceu o apoio da organização de enfermagem à reforma e atacou as "distrações ideológicas".

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