Discurso de Obama hoje terá foco no futuro dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, realiza na noite de hoje (zero hora de quarta-feira, pelo horário de Brasília) seu discurso anual sobre o Estado da União. A fala de Obama deve marcar uma mudança no debate em Washington, mudando o foco do passado para o futuro, informa o Wall Street Journal.

AE, Agência Estado

25 de janeiro de 2011 | 12h46

Na maior parte dos dois anos da presidência de Obama, a capital do país foi dominada por questões sobre o passado: quem causou a crise financeira, que políticas foram responsáveis, quais respostas ajudaram e quais pioraram a situação, quem deve ser culpado pelo déficit orçamentário e qual seria melhor forma para vencer as guerras no Iraque e no Afeganistão.

Quando ele subir ao pódio da Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados) para seu discurso do Estado da União, Obama deve focar o que vem pela frente - especificamente, lançar uma discussão sobre qual partido tem políticas para o futuro. Com isso, o presidente estará moldando um debate fundamental, que vai no cerne das diferenças entre seu Partido Democrata e o oposicionista Partido Republicano. Estará aberta uma importante discussão sobre o papel do governo, que dominará os próximos dois anos.

O presidente defenderá que, mesmo com cortes necessários e dolorosos no orçamento em outros setores, o futuro econômico do país necessita que o novo governo invista em pesquisa, infraestrutura e educação, a fim de tornar a economia dos EUA mais competitiva e criar novos empregos de forma robusta.

A declaração busca responder ao temor dos norte-americanos de que o país possa estar perdendo o rumo - em particular, garantir que não há risco de se perder a corrida de longo prazo com a China pelo comando da economia global. O governo chinês devota todos seus recursos para tornar-se um líder global em áreas como energia solar e trens de alta velocidade, por exemplo.

Obama dirá que o setor privado, que ele tem trabalhado duro para estimular nas últimas semanas, precisa do apoio do governo. O argumento é de que os negócios vão bem, mas não podem educar nossas crianças, construir redes de transporte ou investir seus preciosos recursos em pesquisa básica. Esse é o papel do governo, e ele agora é mais necessário que nunca.

Críticas

A resposta republicana será dizer que os democratas olham para o futuro através de um espelho retrovisor. Para eles, as ideias de Obama representam o mesmo que foi desacreditado nos últimos dois anos, postas de outra maneira. Para o Partido Republicano, mesmo esforços bem intencionados do governo para levar a crescimento econômico são menos eficientes do que qualquer gasto do setor privado seria. Além disso, apontam para o fato de o déficit orçamentário inibir o crescimento.

"Com todo o devido respeito aos nossos amigos democratas, qualquer hora que eles querem gastar, chamam isso de investimento", disse o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, em entrevista domingo à Fox, resumindo o argumento da oposição. Os republicanos argumentarão que o melhor investimento do governo no futuro é simplesmente cortar gastos, reduzir os déficits e deixar mais dólares no setor privado, que inevitavelmente sabe melhor o que fazer com o dinheiro. Em resumo, Obama oferecerá um plano para se investir e crescer. Já os republicanos propõem um plano para cortar gastos e crescer.

É um debate saudável, pois mostra precisamente a divisão no pensamento de democratas e republicanos. O debate sobre o papel adequado do governo no século XXI estará no cerne da próxima campanha presidencial. "Esse discurso do Estado da União iniciará uma discussão de dois anos sobre política e visões contrastantes: a dele versus a nossa", disse um graduado assessor republicano na Câmara dos Representantes.

Os dois partidos têm recebido alguns sinais de advertência de um público cético sobre se os dias da recessão são parte do passado. Na última pesquisa Wall Street Journal/NBC News, os norte-americanos disseram por uma grande margem que prestarão mais atenção no discurso de Obama nos trechos sobre crescimento econômico e empregos. Já 55% temem que a Câmara de maioria republicana seja muito inflexível para lidar com o presidente.

Os norte-americanos dizem querer empregos, e não terão paciência para uma mera discussão sobre como criá-los. O especialista em pesquisas do Partido Democrata Peter Hart, que codirigiu a pesquisa Wall Street Journal/NBC News, resume a mensagem do público para os partidos: "Não diga para nós o que vocês não podem fazer, mas mostrem o que vocês farão." As informações são da Dow Jones.

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