Discurso de Obama retoma trilho do multilateralismo

Presidente abre espaço para envolver aliados estrangeiros na superação de desafios internacionais como a proliferação nuclear e o terrorismo

NYT, REUTERS E AP, O Estadao de S.Paulo

26 de fevereiro de 2009 | 00h00

O presidente dos EUA, Barack Obama, usou seu primeiro discurso no Congresso, na noite de terça-feira, para transmitir otimismo aos americanos quanto à crise financeira, mas também para tranquilizar os líderes mundiais, prometendo o fim da criticada política unilateralista do ex-presidente George W. Bush. "Em nossas palavras e ações, estamos iniciando uma nova era de diálogo com o mundo", afirmou.Questões como as guerras, o extremismo e a proliferação nuclear foram levadas à tribuna por Obama sempre com o cuidado de de convocar a comunidade internacional à cooperação. "Com nossos amigos e aliados, forjaremos uma nova e ampla estratégia para Afeganistão e Paquistão, para derrotar a Al-Qaeda e combater o terrorismo", disse. "Para responder aos desafios do século 21, do terrorismo à proliferação nuclear (...), fortaleceremos antigas alianças e criaremos novas", afirmou Obama no discurso.O presidente deixou para os últimos momentos suas considerações sobre as relações americanas com o mundo e, quando o fez, preferiu citar genericamente um amplo leque de assuntos, sem especificar suas políticas para nenhum deles. Prometeu vagamente retirar as tropas americanas do Iraque, cancelar contratos de defesa sem licitação e derrotar a Al-Qaeda. Indiretamente, Obama também renovou sua proposta de negociações com o Irã ao dizer que os EUA "não podem fechar-se a negociações nem ignorar os adversários ou forças que podem prejudicar" o país. Desde a campanha, Obama demonstra a intenção de retomar o diálogo bilateral com Teerã. Seguindo o estilo de discursos anteriores, o presidente tentou personificar suas propostas, contando histórias reais - ele convidou 22 cidadãos para assistir ao pronunciamento ao lado da primeira-dama. Obama também fez apelos aos "valores" e ao "exemplo" americano, dizendo que, por causa deles, ordenou o fechamento do centro de detenção de Guantánamo. "Os olhos de todas as pessoas, em todas as nações, estão de novo sobre nós - olhando para ver o que fazemos com este momento, esperando por nossa liderança", afirmou.Um dia depois de Obama ter prometido investir no desenvolvimento de energias alternativas e pedido aos congressistas um projeto de lei para estimular a redução da emissão de gases poluentes, o Congresso ouviu ontem o depoimento de dois especialistas no assunto, que apresentaram visões opostas. Como esperado, R.K. Pachauri, do painel de Mudança Climática da ONU, pediu uma ação rápida para diminuir as emissões. No entanto, o físico William Happer da Universidade Princeton, defendeu que o aumento das emissões de CO² "será bom para a humanidade". "Limitações drásticas no dióxido de carbono provavelmente vão prejudicar nosso país", afirmou.

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