Discurso de Obama sobre igualdade entusiasma americanos e estrangeiros

Presidente falou por mais de 18 minutos ao dar início a seu segundo mandato.

Pablo Uchoa, BBC

21 de janeiro de 2013 | 22h24

Em um mar de bandeiras americanas e decorações em azul e vermelho, a bandeira brasileira se sobressaía, em verde e amarelo, enrolada ao redor do brasileiro João Pablo Viale.

Em companhia da mãe, Lázara, ele assistia ao discurso de posse do presidente Barack Obama em um dos cantos da avenida Pensilvânia, de frente para o prédio do Capitólio, na região dos prédios do governo e dos monumentos na capital americana.

Lázara, a Ziza, diz que veio de Curitiba especialmente para a posse. "Queremos que ele saiba que o Brasil está aqui a prestigiá-lo", disse à BBC Brasil.

João Pablo, que vive em Nova York há oito anos e tem uma irmã em Miami, complementa: "Queremos que ele saiba que o mundo está torcendo por ele. Que o mundo reconhece o esforço dele em trazer dignidade para os menos favorecidos".

Os festejos da segunda posse de Obama podem não ter atraído o mesmo 1,8 milhão de pessoas que se aboletaram na região dos monumentos de Washington quatro anos atrás, mas nem por isso a expectativa para o próximo mandato parece menor.

Desde o fim da semana passada, centenas de milhares de pessoas lotaram as ruas, restaurantes e hoteis da capital americana. Nesta segunda-feira, as filas eram longas para entrar na área designada para o público, apesar do frio que fez o lucro dos ambulantes (que vendiam cobertores por US$ 10, cerca de R$ 20,40).

Pouco antes do meio-dia, Obama fez o seu juramento sobre sobre duas bíblias que pertenceram a Martin Luther King Jr. (símbolo da luta pelos direitos civis americanos) e ao presidente Abraham Lincoln (que encerrou a Guerra Civil do século 19).

Depois, em um discurso de mais ou menos 18 minutos, Obama tentou renovar o clima de esperança que conseguiu insuflar nos americanos e estrangeiros quatro anos atrás.

'Jornada incompleta'

"Nossa jornada ainda não está completa", disse o presidente, de certa forma aludindo à grande expectativa que seu primeiro mandato despertou - e que não foi de todo saciada.

Entretanto, ele reforçou a sua crença na força da sociedade americana, afirmando que "esta geração de americanos foi testada por crises que reforçaram nossa determinação e provaram nossa resiliência".

"Uma década de guerra está chegando ao fim agora. Uma recuperação econômica começou. As possibilidades dos EUA são ilimitadas."

O discurso fez referências ao desejo de mais justiça social por parte dos americanos menos favorecidos - muitos, dependentes de programas do governo.

"Nós, o povo, entendemos que nosso país não pode ter êxito quando um grupo cada vez menor se dá bem e um número cada vez maior de pessoas mal consegue sobreviver", disse o presidente.

Obama defendeu programas como o Medicaid (um seguro-saúde para as populações mais carentes), Medicare (seguro-saúde para os mais velhos) e os benefícios de seguridade social, todos alvos de resistências por parte da oposição.

E aludiu à sua plataforma para os próximos quatro anos, que inclui reformas na imigração, melhorias na educação e no sistema eleitoral, e medidas para combater as mudanças climáticas.

País de todos

O tom agradou quem estava na plateia. "Esta cerimônia é uma conquista de muitas pessoas que lutaram pelo conceito de igualdade", entusiasmava-se o mexicano David Correa.

Fazendo referência a dois ativistas pelos direitos civis americanos, ele refletiu: "Rosa Parks existiu para que Martin Luther King Jr pudesse protestar. Ele protestou para que Obama pudesse concorrer à Presidência. Obama concorreu à Presidência para que meus filhos possam voar".

O mexicano acredita que muitos estrangeiros vieram para a posse por causa da filosofia de Obama, "de que todos neste país temos os mesmos direitos à liberdade, não apenas os americanos, não apenas os nascidos aqui".

A colombiana Catalina Garzón, nascida em Bogotá mas moradora de Oakland, Califórnia, disse que apoia Obama por sua promessa de lutar pela legalizar a situação de imigrantes que ainda vivem nas sombras.

"Para mim é especial ter na nossa história um presidente que é filho de imigrantes", diz Catalina. "É uma esperança para mim, a futura geração dos meus filhos, netos e bisnetos que ainda vão chegar. "

O brasileiro João Pablo acredita que, para muitos estrangeiros que vivem nos EUA, Obama é um "ídolo", para quem as suas palavras suscitam a esperança de um futuro melhor.

"Eu nunca vi ninguém falar com tanta propriedade da união entre nós, que moramos aqui", diz.

"Eu acredito na mudança através dele, pelo seu novo posicionamento humilde como presidente, e principalmente por reconhecer a liberdade como direito de todos e não apenas dos americanos." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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