Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Discurso de ódio contra China cresce de forma alarmante no Twitter por coronavírus

Pandemia gerou aumento de 900% de mensagens contra o país onde vírus foi detectado pela primeira vez

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2020 | 20h39

A pandemia do novo coronavírus gerou um aumento de 900% nas mensagens de ódio contra a China (onde a covid-19 foi detectada pela primeira vez) e os chineses em geral no Twitter, aponta um estudo israelense.

"As pessoas passam cada vez mais tempo nas redes sociais e em aplicativos de mensagens e jogos, e os problemas endêmicos dessas plataformas, como o ódio, abuso, toxicidade e intimidação, acentuaram-se", assinala a empresa L1ght, com sede em Israel, em seu relatório.

"Segundo nossos dados, boa parte desse ódio e abuso está se dirigindo à China e sua população, bem como a indivíduos de origem asiática em outras partes do mundo", acresenta a startup, que usa a inteligência artificial para detectar conteúdo maléfico nas redes sociais.

A L1ght indica que, embora as redes tenham servido para compartilhar histórias inspiradoras, também espalham mensagens carregadas de ódio. "Os tuítes tóxicos usam uma linguagem explícita para acusar os asiáticos de serem portadores do novo coronavírus e culpar as pessoas de origem asiática em seu conjunto pela propagação do vírus", aponta o estudo.

Segundo o texto, muita gente usa hashtags racistas, como #Kungflu, #chinesevirus e #communistvirus quando tuíta sobre a pandemia. O tráfego em sites de ódio cresceu cerca de 200%, segundo o relatório, que aponta alguns veículos de comunicação como incentivadores deste tipo de reação contra os asiáticos.

O estudo cita um vídeo do canal Sky News Australia intitulado "A China infligiu voluntariamente o coronavírus ao mundo", que "gerou milhares de comentarios, a maioria deles tóxicos e de ódio".

O relatório coincide com os alertas feitos por grupos de direitos humanos, ativistas e políticos nos Estados Unidos sobre um aumento do número de incidentes racistas dirigidos aos asiáticos que vivem no país.

Segundo críticos, as repetidas referências do presidente Donald Trump à covid-19 como "vírus chinês" também deu lugar à xenofobia.

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