Evan Vucci/AP
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Discurso de Romney na convenção republicana será teste crucial

Candidato precisa convencer norte-americanos de que pode liderar país melhor do que Obama

Reuters,

30 de agosto de 2012 | 17h16

TAMPA, EUA - O candidato à Presidência dos Estados Unidos, Mitt Romney, terá pela frente nesta quinta-feira, 30, um teste crucial em sua corrida para a Casa Branca, quando fizer seu muito aguardado pronunciamento na Convenção Nacional Republicana. Será uma oportunidade para tentar convencer milhões de norte-americanos de que ele pode apontar um caminho para a recuperação da economia norte-americana e ser um líder melhor para o país do que o presidente Barack Obama, do Partido Democrata.

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Essa será a maior audiência na televisão para Romney, já que boa parte do país ligará a TV para vê-lo falar, o que propiciará a muitos eleitores seu primeiro contato de mais atenção com o candidato de 65 anos, ex-governador do Estado de Massachusetts e que na campanha de 2008 tentou sem sucesso ser o indicado pelo partido para disputar a Presidência. Romney, frequentemente visto como uma pessoa rígida, terá o desafio de fazer os norte-americanos se sentirem mais confortáveis com ele.

Será uma árdua tarefa para ele, depois que sua mulher, Ann, fez na terça-feira à noite um discurso de apoio no qual a ênfase era: "você pode confiar em Mitt". O pronunciamento de Ann foi amplamente considerado como um dos mais importantes feitos até hoje por uma aspirante a primeira-dama.

Na quarta-feira, o vice na chapa de Romney, o deputado Paul Ryan, do Estado do Wisconsin, também fez um discurso firme, o qual provocou a reação mais entusiástica até o momento na convenção. "Depois de quatro anos girando no mesmo lugar, a América precisa de uma reviravolta, e o homem para essa tarefa é o governador Mitt Romney", disse Ryan.

Os democratas descrevem Romney como um frio empresário de corporações, elitista rico, sonegador de impostos e que muda de políticas com frequência. Portanto, dizem eles, não confiável para receber as chaves da Casa Branca.

Apesar dos ataques, Romney tem aparecido lado a lado com Obama nas pesquisas, em uma corrida que está muito longe de uma definição. Uma sondagem da Reuters/Ipsos na quarta-feira mostrou os dois empatados com 43 por cento cada.

Mas Obama tem sobre Romney a vantagem do carisma, uma importante característica que pode mascarar outros problemas que o atual ocupante da Casa Branca tem ao tentar convencer os eleitores a lhe darem um novo mandato de quatro anos. O senador do Arizona John McCain, o republicano que disputou a eleição com Obama em 2008, disse que Romney precisa realizar duas tarefas: "um, convencer os norte-americanos a acreditar nele e confiar nele e, dois, (convencer) de que tem um plano concreto para recolocar a economia de volta nos eixos".

Longa jornada

O discurso de Romney é o ponto culminante de uma longa jornada. Depois de não conseguir ser o candidato do partido em 2008, ele planejou o retorno à arena política este ano. Foi testado em disputas com vários rivais conservadores, de Newt Gingrich a Rick Santorum, e sobreviveu a todos eles.

Romney tem algumas vantagens inerentes na corrida contra Obama. Ele supera os democratas em doações de campanha e tem na fraqueza da economia e no aumento do desemprego, que está na casa de 8,3 por cento, argumentos letais pela mudança de presidente.

Ainda assim, Romney está longe de fechar um bom negócio. Não está claro se suas propostas econômicas de redução de impostos e desregulamentações de setores vão promover o crescimento do país e fazer com que o Tesouro arrecade tributos para arcar com programas governamentais caros, tais como o serviço de saúde Medicare, destinado aos idosos, que ele quer reformar.

O discurso de Romney na convenção é uma oportunidade para que ele se imponha sobre a enxurrada de propaganda negativa na TV. Delegados republicanos recomendaram que Romney seja ele mesmo no pronunciamento, fale de sua trajetória como empresário e chefe da organização dos Jogos Olímpicos de Inverno de Salt Lake City, e aponte um caminho a seguir.

O senador pelo Estado de Nova York Mike Nozzolio disse que ele precisa dizer aos eleitores de um modo compreensível que "é competente, direto, focado e pode levar a mensagem às pessoas ao redor da mesa da cozinha". Frank Steed, do Condado de Navarro, no Texas, disse que Romney não deveria se preocupar em tentar parecer caloroso e vago. "Ele é quem ele é", afirmou Steed. "E eu acho que ele tem de estar orgulhoso disso. Ele é um homem de negócios. Ele não é um político."

 

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