''Discurso é uma declaração de guerra'', dizem palestinos

RAMALLAH

, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

O discurso do primeiro-ministro de Israel, Binyamin "Bibi" Netanyahu, foi recebido ontem com revolta entre líderes da Autoridade Palestina (AP). "É uma declaração de guerra contra os palestinos", disse Nabil Shaath, assessor do presidente Mahmoud Abbas.

Na contramão do que Bibi declarou diante do Congresso dos EUA, a AP recusa a ideia de Israel manter sob controle partes significativas da Cisjordânia e a totalidade de Jerusalém Oriental. Ramallah aceita discutir trocas pontuais de território, mas exige que a porção da cidade santa ocupada em 1967 converta-se na capital do futuro Estado palestino.

"Não temos nada a fazer a não ser continuar nossa luta na arena internacional, a construção do nosso Estado e os esforços populares", disse Shaat. "Não temos um parceiro para paz."

O porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeinah, também foi enfático na condenação às declarações do premiê israelense. "O que Netanyahu disse em seu discurso desta noite (ontem de manhã) é uma clara rejeição das sugestões do presidente Barack Obama em relação às fronteiras de 1967", disse Rudeinah. "Na verdade, o que ele fez foi colocar mais obstáculos no caminho da paz."

Do lado do Hamas, as críticas ao premiê israelense foram ainda mais duras. "Netanyahu negou todos os nossos direitos", acusou Sami Abu Zuhri, porta-voz do grupo islâmico. "Nós devemos trabalhar para adotar uma estratégia árabe e palestina com base na resistência."

Fatah. Em seu discurso, Netanyahu exortou o Fatah de Abbas a romper o acordo que firmou há um mês com o Hamas. A facção islâmica, isolada na Faixa de Gaza desde 2007, deverá participar das eleições do ano que vem.

Por motivos opostos, grupos de colonos israelenses também ficaram furiosos com a fala do premiê de Israel nos EUA. Para eles, o líder de centro-direita não tem direito de ceder aos palestinos nenhuma porção de terra prometida por Deus ao povo judeu. "Meu único consolo é que nada vai ocorrer por causa desse discurso", afirmou Dani Dayan, líder do conselho de colonos da Cisjordânia. / AP

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