EFE/Alex Castro
EFE/Alex Castro

Discurso papal ganha eficácia em meio à juventude católica

Durante visita a Cuba, Francisco fez apeloa jovens para que não confundam governo e povo em meio à aproximação com EUA

FELIPE CORAZZA, ENVIADO ESPECIAL / HAVANA

21 Setembro 2015 | 02h00

HAVANA -  Manuel, de 85 anos, prefere não revelar o sobrenome. Enquanto procura por uma sombra na Praça da Revolução, onde o papa Francisco rezou sua primeira missa na capital cubana, diz apenas que gostou muito das palavras do pontífice e da retomada das relações com os Estados Unidos, mas não se deixa impressionar. “Fala ele. Fala Raúl. Falava Fidel. Prefiro ver acontecer.” 

A desconfiança de alguns dos mais velhos na ilha contrasta com o “público alvo” mais fértil do pontífice em sua visita: os jovens. Na noite de domingo, falando a um grupo deles, o papa afirmou que são “a esperança de um povo” e pediu que ajudem a construir o país sem se entregar ao “derrotismo”. 

Em resposta, ouviu o testemunho de Leonardo Manuel Otaño, universitário católico escolhido como porta-voz para o momento. “Queremos pedir algo especial: que renove em nós a esperança de que é possível crescer, estudar, trabalhar, caminhar, sonhar e ser feliz nessa realidade complexa na qual nos coube viver.”

Para esta “realidade complexa”, Francisco receitou ontem, mais uma vez, que não sejam confundidos governo e povo, assim como não se rejeite o pensamento diferente apenas por parecer “incômodo”.

Apoiado na história de São Mateus, afirmou durante a missa em Holguín: “É possível que um cobrador de impostos se transforme num servidor? Crês que é possível um traidor transformar-se num amigo? Crês que é possível o filho de um carpinteiro ser o Filho de Deus?”

Ecos. “O papa é um fazedor de pontes, é a denominação do cargo, pontífice. É isso que ele está fazendo agora e, para nós, é muito bom. Dá muita esperança", afirmou à reportagem Ahmed Costa, de 18 anos, morador da Província de Villa Clara. 

Com um grupo de amigos católicos, Costa participou da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, em 2013 - comandada por Francisco. Agora, todos viajaram à capital para acompanhar a visita.

“Francisco é um comunicador que fala aos jovens de uma forma eficaz”, avaliou ontem outro dos participantes da caravana, José Alberto, de 24 anos. Ele recorda uma frase dita por Francisco a eles durante o encontro no Rio de Janeiro que pareceu esse grupo falar especialmente “ao coração dos cubanos”: “É preferível uma Igreja ferida a uma Igreja fechada”. Agora, os jovens esperam que, além do aspecto espiritual, a visita de Francisco melhore também as condições dos templos católicos na ilha, muito prejudicados pelas restrições impostas pelo regime dos Castros nas últimas décadas. 

 

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