Jacques Witt / POOL / AFP
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Discussão de empoderamento feminino no G-20 reúne 24 participantes: apenas 2 líderes

Era para ser uma sessão de empoderamento das mulheres durante a cúpula no Japão, mas faltou justamente isso: mulheres

Célia Froufe e Beatriz Bulla / Enviadas Especiais a Osaka , O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2019 | 10h58

Era para ser uma sessão de empoderamento das mulheres durante a cúpula do G-20, no Japão, mas faltou justamente isso: mulheres. Apenas quatro delas estavam no palco para se comprometerem com a atuação feminina nas áreas de emprego, educação e economia no globo. E apenas duas eram líderes. Os demais 20 membros eram homens, incluindo o brasileiro Jair Bolsonaro

 Chama atenção o fato de que as duas estão de saída. A premiê britânica, Theresa May, já renunciou e será substituída nos próximos dias por um homem, Boris Johnson, que, ministro de seu governo, atuou abertamente contra ela antes do anúncio de sua saída.  

No caso de Angela Merkel, houve uma antecipação do anúncio de sua aposentadoria, prevista para começar no ano que vem. O lançamento de Annegret Kramp-Karrenbauer como sua substituta, no entanto, está em dificuldades. 

Compunham o quadro feminino do G-20 ainda a rainha Máxima Zorreguieta Cerruti, dos Países Baixos, e Ivanka, filha do presidente americano, Donald Trump. Nenhuma delas se aproximou dos círculos de poder por meio do voto. 

 

O painel em Osaka na tarde deste sábado (madrugada no Brasil) ocorreu dias depois de Bolsonaro ter cumprido ordem judicial de pagar indenização e pedir desculpas à deputada Maria do Rosário (PT-RS) por tê-la ofendido

Questionado mais cedo sobre sua participação no evento, o presidente mostrou que não estava tão a par dos detalhes, mas brincou com o tema. “Empoderamento feminino? Ninguém manda mais na minha casa do que minha esposa. (...) Poxa, eu sou apaixonado por vocês, eu não viveria sem vocês”, disse a jornalistas. 

Um pouco antes, ele havia dito que acreditava em Deus e que é um direito das pessoas ter uma religião. “Acredito que uma família organizada, que pode ser feliz e não um problema para o Estado. Mesmo os homossexuais nasceram de uma mulher”, argumentou, acrescentando que, por enquanto, ainda não se descobriu como engravidar homens. 

 

Ele reforçou sua teoria de que não se deve falar na existência de um terceiro sexo. Sob o comando do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o Itamaraty passou instruções aos diplomatas para que em eventos multilaterais reiterem a posição do Brasil de que a palavra gênero se refere a sexo biológico, ou seja, apenas deve ser designado como feminino ou masculino. 

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