Discussão sobre imigração deve ficar fora da campanha nos EUA

Que diferença algumaspoucas semanas podem fazem, ao menos quando se trata da atualcampanha à Presidência dos Estados Unidos e da polêmica emtorno da imigração. Quando a corrida pela Casa Branca começou de verdade, comas primeiras prévias sendo realizadas no Estado de Iowa, emjaneiro, uma ampla gama de pré-candidatos republicanosesforçava-se para mostrar seu rigor quanto à imigração ilegal,prometendo controlar melhor as fronteiras e investir contra ostrabalhadores ilegais. Mas, com a queda no número de participantes das disputaspara as vagas republicana e democrata nas eleiçõespresidenciais de novembro, a questão, no que diz respeito aoscandidatos, pode perder destaque, dizem analistas. "O tópico da imigração não será redefinido, simplesmentedeixará de ser abordado", previu Steven Camarota, diretor depesquisas do Centro de Estudos sobre a Imigração, que defende aredução do número de imigrantes no país. O senador John McCain saiu da "superterça", o dia maisimportante das prévias, como o mais provável candidatorepublicano. Pouco depois, na quinta-feira, praticamentegarantiu sua vaga nas eleições de novembro quando o seu maiorrival, Mitt Romney, desistiu da corrida. McCain -- cuja postura em relação aos imigrantes ilegais évista pelos conservadores do Partido Republicano como lenientedemais -- foi um dos responsáveis por um projeto que reformariaas leis de imigração do país, mas que acabou sendo rejeitadopelo Senado norte-americano, em junho. Essa postura rendeu-lhe a inimizade aparentemente eterna demuitos dos eleitores republicanos, que devem pressioná-lo paraque adote uma linha mais dura. No lado democrata, a corrida reduziu-se a doispré-candidatos, o senador Barack Obama e a senadora HillaryClinton, que ficaram praticamente empatados na superterça de 5de fevereiro. Ambos defendem as medidas esboçadas no projeto de reformaderrotado, o qual previa combinar um controle mais rígido dafronteira com a abertura de um caminho para a regularização dasituação de muitos dos 12 milhões de imigrantes ilegais quemoram nos EUA. Romney, que chegou a liderar a corrida pela vagarepublicana e que prometeu adotar medidas duras contra aimigração ilegal, está agora fora da disputa. E Mike Huckabee tem pouquíssimas chances de fazer frente aMcCain, segundo analistas. "Com Romney e Huckabee colocados de lado, temos apenasdiferentes versões de uma mesma proposta", afirmou Mark Jones,professor de ciências políticas na Universidade Rice, Texas. OCUPANDO O CENTRO A questão sobre o que fazer com os milhões de imigrantesilegais transformou-se em um tópico acalorado nos EUA, nosúltimos meses, e continua a fazer parte dos três assuntos quemais interessam aos eleitores, junto com a economia e a guerrano Iraque. Muitos norte-americanos vêem nos imigrantes escoadouros depostos de trabalho e de recursos na forma, por exemplo, deescolas e assistência médica. Com uma recessão à espreita, osentimento antiimigrantes pode intensificar-se. Outros argumentam que a maior parte dos imigrantes ilegaisdesempenha funções mal remuneradas e desgastantes para asquais, não fossem eles, faltaria mão-de-obra. "Os candidatos dos dois partidos à Presidência vão quererevitar essas discussões, e quando eles não conseguiremevitá-las, vão querer ficar em cima do muro", afirmou TamarJacoby, do Instituto Manhattan, uma organização que promove arealização de pesquisas e que deu apoio ao projeto da nova leide imigração.

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