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Dispara número de refugiados no Sudeste Asiático

Maioria foge de perseguições religiosas ou da pobreza

MICHAEL, HOLTZ, THE CHRISTIAN SCIENCE MONITOR, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2015 | 02h01

A chegada nos últimos dias de 1.600 refugiados vindos por barco às costas da Malásia e da Indonésia é um lembrete sombrio de que a Europa não é o único lugar que enfrenta uma crise de imigração. Segundo as autoridades, os responsáveis pelo tráfico humano, aparentemente, abandonaram os barcos de refugiados - descritos como "prisões flutuantes virtuais" - e deixaram os passageiros à própria sorte, segundo informações da Associated Press. No domingo, três barcos transportando 1.108 pessoas chegaram à ilha malaia de Langkawi e quatro transportando mais 600 pessoas aportaram na Província de Aceh, na Indonésia.

Muitos fugitivos em busca de asilo são muçulmanos da seita rohingya, que são alvo de uma perseguição sistêmica em Mianmar, de maioria budista. Há anos eles enfrentam corajosamente a perigosa travessia por mar e terra pela Tailândia para chegar à Malásia e pedir asilo.

Segundo a AP, além deles há um número crescente de refugiados de Bangladesh fugindo da pobreza. No entanto, a forte repressão na Tailândia, centro regional do tráfico humano, interrompeu o fluxo de imigrantes ali, levando a novas travessias perigosas para a Malásia e a Indonésia. A busca desesperada dessas pessoas por uma vida melhor é compartilhada pelas dezenas de milhares de imigrantes do Norte da África e do Oriente Médio que tentam cruzar o Mediterrâneo para buscar asilo em países da Europa.

No dia 22, cinco dias antes de o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarar que a situação no Mediterrâneo "é a pior crise humana desde a 2.ª Guerra", um grupo de direitos humanos no Sudeste Asiático emitiu um alerta similar sobre os muçulmanos rohingya.

Em carta dirigida aos chefes de Estado da região, a Frente Parlamentar pelos Direitos Humanos da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) declarou que "a antiga perseguição da etnia rohingya provocou a maior onda de refugiados em busca de asilo político desde a Guerra do Vietnã", acrescentando que esse tráfico humano que se transformou em epidemia "ameaça a segurança econômica e física da Asean".

Chris Lewa, diretora do Arakan Project, grupo de defesa dos direitos dos rohingyas, calcula que entre 7 mil e 8 mil pessoas estão agora presas em navios no Estreito de Malaca e em águas internacionais próximas em razão das medidas adotadas pela Tailândia.

"A Tailândia tenta impedir que os traficantes continuem operando e, assim, obrigou-os a seguir para qualquer outro lugar", disse Lewa à agência France Presse. Segundo ela, os refugiados estão "tentando desembarcar antes que morram".

Risco. A resposta tailandesa veio depois da descoberta, no início do mês, de 33 corpos enterrados numa vala comum nas montanhas ao sul do país. Segundo a ONG Human Rights Watch, a vala continha restos de pessoas que morreram de fome ou por doenças quando estavam com os traficantes à espera de pagamento para levá-las para a Malásia.

As autoridades tailandesas, desde então, prenderam dezenas de contrabandistas suspeitos, incluindo um homem acusado de ser o chefão regional do tráfico, além de vários políticos de províncias e autoridades locais.

Embora as medidas adotadas tenham perturbado as redes de tráfico, autoridades tailandesas e ativistas que defendem refugiados disseram ao Sydney Morning Herald que os contrabandistas devem ter levado os refugiados para a selva para não serem detectados. Em meio às crescentes críticas internacionais, o premiê tailandês, um general do Exército, convocou um encontro de três dias com Mianmar e Malásia para resolver a crise. No ano passado, o Departamento de Estado americano colocou a Tailândia no nível mais baixo em seu relatório sobre o tráfico, ao lado da Coreia do Norte e da Síria.

No ano passado o Christian Science Monitor reportou que o êxodo dos muçulmanos rohingya de Mianmar foi acelerado depois de 2012, após os massacres ocorridos na região ocidental de Mianmar.

A Malásia, país de maioria muçulmana, é o principal destino dos rohingyas: mais de 34 mil estão registrados na agência do Alto-Comissariado para Refugiados da ONU (Acnur) no país. A Malásia também foi elogiada pela resposta humanitária aos refugiados que chegam, mas, segundo grupos de direitos humanos, o país não tem uma política legal clara, o que coloca refugiados e imigrantes em risco de serem explorados ou presos arbitrariamente. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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