Mohammed Zaatari/AP Photo
Mohammed Zaatari/AP Photo

Disparos na fronteira entre Líbano e Israel provocam temor de escalada de tensão

Grupo terrorista Hezbollah lançou mísseis antitanque do Líbano, como 'resposta' a ataques de drones israelenses; primeiro-ministro libanês pediu intervenção da comunidade internacional

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2019 | 18h11

JERUSALÉM  - O norte de Israel foi alvo neste domingo, 1, de disparos de mísseis antitanque do grupo terrorista libanês Hezbollah, o que provocou uma resposta do exército israelense no sul do Líbano e gera o temor de uma escalada de tensões entre o Estado hebreu e o movimento xiita libanês.

"Vários mísseis antitanque foram disparados a partir do Líbano contra uma (militar israelense) e veículos militares. Alvos foram atingidos", afirmou o exército israelense em um comunicado.

"O intercâmbio de disparos provavelmente terminou", garantiu o porta-voz do exército israelense, Jonathan Conricus, enquanto o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, disse ter dado ordem às forças armadas para que "estejam preparadas diante de qualquer cenário".

O Hezbollah libanês, que havia prometido uma resposta a um ataque com drone atribuído a Israel há uma semana, anunciou que "destruiu um veículo militar" do exército israelense na região de Avivim, norte do país, de acordo com seu canal de televisão Al Manar.

O movimento xiita mencionou "mortos e feridos", mas não divulgou detalhes.

O exército israelense não citou feridos, nem informou detalhes sobre os disparos antitanque, mas pediu à população que mora em um perímetro de quatro quilômetros da fronteira libanesa que permaneça em suas casas e nos abrigos antibombas.

O exército de Israel respondeu com "disparos contra as fontes dos bombardeios" do Hezbollah no sul do Líbano, afirma um comunicado.

De acordo com a agência nacional libanesa ANI, "os arredores da localidade de Marun al Ras, no setor de Bint Jbeil, são alvos de bombardeios do inimigo israelense, que continuam de maneira esporádica".

Esta localidade libanesa fica perto da cidade israelense de Avivim, objetivo dos disparos de mísseis antitanque, segundo o exército.

O canal do Hezbollah exibiu imagens de Marun al Ras que mostravam colunas de fumaça sobre campos e vilarejos. 

Intervenção internacional

O primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, conversou por telefone com o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, e com um assessor do presidente francês Emmanuel Macron para pedir "a intervenção dos Estados Unidos, França e da comunidade internacional ante os acontecimentos" na fronteira.

Paris "multiplicou os contatos na região", no Oriente Médio, para "evitar uma escalada" na fronteira sul do Líbano, informou na tarde deste domingo o Ministério de Relações Exteriores francês.

Segundo a pasta, Macron "tinha tido conversas por telefone nos últimos dias com Netanyahu e com o presidente iraniano, Hasan Rohani". 

"Os Estados Unidos apoiam plenamente o direito de Israel se defender. O Hezbollah deveria se abster de ações hostis que ameacem a segurança, a estabilidade e a soberania do Líbano", disse neste domingo um funcionário do Departamento de Estado americano. 

O Hezbollah é aliado do Irã, que se encontra em um momento delicado com os EUA por causa da quebra do acordo nuclear e consequentemente com Israel, país vizinho alinhado com os americanos. 

A FINUL, força de manutenção da paz da ONU mobilizada no sul do Líbano, na fronteira com Israel, pediu neste domingo uma "grande contenção".

As trocas de disparos acontecem em um momento de crescente tensão entre Israel e o Hezbollah, que na semana passada acusou o Estado hebreu de ter atacado com drones seu reduto na periferia sul de Beirute.

O "ataque" foi apresentado pelo líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, como o "primeiro ato de agressão" de Israel contra o Líbano desde a devastadora guerra de 2006 entre as duas partes, que deixou 1.200 mortos em 33 dias no lado libanês e 160 entre os israelenses.

O presidente libanês, Michel Aoun, chamou o incidente de "declaração de guerra". / AFP

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