Disputa é acirrada em eleição do Quênia, distúrbios explodem

Os candidatos rivais à presidência doQuênia estavam emparelhados neste sábado, depois de quase 90por cento dos votos apurados pelas autoridades. Acusações defraude provocaram violência étnica em todo o país, e váriaspessoas morreram nos distúrbios. À medida que anoitecia e a disputa permanecia acirrada, semque novos resultados estivessem previstos antes do amanhecer,os quenianos deixaram as ruas, a polícia mantinha bloqueios nasestradas e os políticos se reuniam para traçar estratégias. O caos reinou durante o dia enquanto os últimos dados daComissão Eleitoral do Quênia (ECK, na sigla em inglês)mostravam o candidato oposicionista Raila Odinga à frente dopresidente Mwai Kibaki por apenas 38 mil votos, tendo sidoapuradas as urnas de 180 dos 210 distritos eleitorais Mas o chefe da comissão foi interrompido depois de lerresultados de 7 outros distritos que teriam colocado Kibaki nadianteira por uma margem quase quarto vezes maior do que aanunciada até então. Ao dizer repentinamente que iria parar deinformar os resultados durante a noite, ele aumentou o tormentoda maioria dos 36 milhões de quenianos, atentos a cada palavrada comissão. Num dia de confusão e farsa na sede da ECK, conflitosexplodiram e a polícia interveio quando um político de oposiçãoabafou o pronunciamento do presidente da comissão, SamuelKivuitu, e exigiu insistentemente a recontagem dos votos em umdistrito. "Nós somos quenianos, e não animais!", Kivuitu disse a umgrande número de agentes do partido, políticos e jornalistasespremidos no centro de conferências de Nairóbi, cercado porguardas armados. A ECK indicou 3,88 milhões de votos para Odinga e 3,84milhões para o atual presidente, com base nos 180 distritos.Mas os outros 7 iriam colocar Kibaki à frente, com cerca de 4,1milhão de votos. Os atrasos no anúncio dos resultados oficiais alimentaramas tensões por todo o país. Políticos trocaram acusações defraude e os distúrbios irromperam na maioria das cidadesquenianas. Tanto o Movimento Democrático Laranja (ODM,na sigla eminglês), partido de Odinga, como o Partido da Unidade Nacional(PNU), de Kibaki, reivindicam vitória. O vencedor dirigirá opaís, a economia mais rica do leste da África, pelos próximoscinco anos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.