REUTERS/Marco Bello
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Disputa entre Exército e MP venezuelano divide chavismo

Ministro da Defesa critica procuradora-geral após ela responsabilizar militares por repressão e morte em protestos

O Estado de S.Paulo

25 Maio 2017 | 19h26

CARACAS - Um dia depois de a procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, defender o fim da repressão da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) aos protestos contra o presidente Nicolás Maduro, o Ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, publicou um comunicado com críticas à chefe do Ministério Público, que, nas últimas semanas, vem se distanciando do chavismo. Líderes chavistas, como os ex-vice-presidentes Elías Jaua e Diosdado Cabello, também têm criticado a procuradora, a quem chamam de traidora. 

Na quarta-feira, Luisa Ortega fez um pronunciamento no qual pediu que os guardas restrinjam suas ações ao combate de “grupos armados” como os “coletivos” chavistas, milícias a serviço do governo. Ela atribuiu a morte do manifestante Juan Pablo Pernalete ao impacto de uma bomba de gás lacrimogêneo lançada pela GNB.

“As Forças Armadas têm feito um esforço superlativo para manter a paz, a vida e a estabilidade institucional”, disse Padrino, em nota. “Os pré-julgamentos e hipóteses da procuradora-geral estão prejudicando o moral dos soldados e carregados da opinião da direita.”

Desde o início da atual onda de protestos contra Maduro, há quase dois meses, a GNB tem reprimido as manifestações e a onda de violência já deixou 56 mortos. A morte de Pernalete causou ainda mais irritação entre os opositores pelo fato de o governo ter insinuado que os próprios manifestantes haviam matado o estudante para incriminar o chavismo.

 

No comunicado, Padrino negou ainda que a GNB tenha agido com violência. “Excessos foram punidos.” Segundo o governo, 17 membros da GNB foram presos por mortes durante os protestos. 

“É preciso identificar as causas do confronto entre os venezuelanos, confronto que não se resolve privando de liberdade as pessoas, mas sim reconhecendo que existe o problema, o descontentamento social é produto da grave crise econômica que provoca insegurança, desabastecimento de alimentos e medicamentos”, afirmou Ortega Díaz na quarta-feira. / REUTERS

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