Disputa longa entre rivais beneficia Obama, diz analista

Para Thomas Mann, só uma recaída da economia ou uma guerra com o Irã tiraria favoritismo de presidente americano

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2012 | 03h04

O andamento das primárias republicanas leva a crer que o presidente americano, Barack Obama, será reeleito em novembro, salvo por uma reviravolta na recuperação econômica dos EUA ou uma guerra com o Irã.

A análise prevalece entre a maioria dos especialistas do país e foi reiterada ao Estado por Thomas Mann, do Brookings Institution, um dos mais respeitados órgãos de pesquisa de Washington.

Obama tem sido beneficiado pelo longo processo de escolha dos republicanos, pela ausência de um rival forte entre os oposicionistas e pela briga escancarada entre eles. "Obama está mais forte por muitas razões, incluindo a melhora da economia e a posição de confronto com o governo dos republicanos no Congresso", afirmou Mann.

Obama tem ainda a vantagem da arrecadação de fundos de campanha, iniciada em abril do ano passado. Desde então, tem levado sua mensagem a encontros nas casas de eleitores, em indústrias e universidades e tem aproveitado a maior parte de suas viagens ao interior para participar de eventos de doação para sua campanha. A primeira-dama, Michelle Obama, tem seguido agenda semelhante, assim como o vice-presidente, Joe Biden.

Os republicanos, a rigor, estarão amarrados nas primárias em mais de 30 Estados e territórios até o fim de agosto, quando o candidato será escolhido na convenção do partido. O processo continua incerto, mesmo depois das seis vitórias do ex-governador de Massachusetts Mitt Romney anteontem, na Superterça. A unificação do partido e de seus recursos em favor de um único candidato contra Obama poderia ter sido antecipada, mas deverá prevalecer apenas durante os três últimos meses antes das eleições.

Mann e a maior parte dos analistas de Washington consideram inevitável a escolha de Romney como rival de Obama, "ao fim de um processo longo e doloroso de luta contra New Gingrich e Rick Santorum", seus adversários mais conservadores. Na Superterça, quando ocorreram primárias em dez Estados, Romney conquistou cerca de 40% dos votos, 50% dos delegados e 60% dos Estados, argumentou Mann. "Mas ele não se mostra suficientemente forte para fazer os outros candidatos caírem fora do páreo", afirmou. "Romney terá de conquistar seus delegados para a convenção Estado por Estado."

Sua dificuldade maior está na incapacidade de convencer os eleitores republicanos de que é um "autêntico conservador". Apesar do fortalecimento do ex-senador da Pensilvânia Rick Santorum, vencedor em três Estados na Superterça, Mann não o vê como ameaça à consolidação de Romney como o rival de Obama em novembro.

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