Disputa política causa protestos violentos na Nicarágua

A Assembleia Nacional da Nicarágua voltou a realizar uma sessão nesta quinta-feira em meio a uma chuva de pedradas e bombas caseiras lançadas por simpatizantes sandinistas, que danificaram o prédio da Assembleia Legislativa. A sessão foi convocada pelo presidente da Casa, o sandinista René Núñez, após dois dias de violência de partidários do governo que atacaram um hotel onde a oposição se reunia e, depois, destruíram vários veículos de deputados opositores e de jornalistas. Os deputados tiveram de entrar no prédio da Assembleia escoltados por um grupo de policiais.

AE-AP, Agência Estado

22 de abril de 2010 | 18h56

Durante a reunião legislativa, os deputados aprovaram empréstimos de US$ 50 milhões para o país e outras leis sociais. Sem se referir ao agressivo grupo de simpatizantes do governo da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), Nuñez disse que "houve uma atitude de repúdio dos deputados e deputadas de oposição em realizar a sessão". Mas a deputada dissidente sandinista Mónica Baltodano respondeu que a ausência ocorreu por causa da agressões da parte de "aglomerações e elementos paramilitares enviados pelo presidente Daniel Ortega" para assediar os legisladores.

Na terça-feira, grupos de simpatizantes sandinistas bloquearam o acesso à Câmara Legislativa para impedir que a oposição debatesse um projeto de lei que anula um decreto presidencial que prorroga a permanência de magistrados da Suprema Corte de Justiça (SCJ) aos que já tiveram seus períodos de cargo concluídos ou estão para chegar a esse ponto.

A Assembleia Nacional não chegou a um consenso para nomear os sucessores dos magistrados. Após uma sessão extraordinária no hotel atacado, os deputados liberais conseguiram aprovar e enviar à comissão a lei que anula o decreto de Ortega. Segundo os deputados da oposição, não é função de Ortega, e sim do Legislativo, nomear os magistrados assim que seus mandatos são encerrados.

O deputado Eduardo Montealegre disse que Ortega pretende manter o domínio da SCJ por meio dos magistrados sandinistas Rafael Solís e Armengol Cuadar, que já deveriam ter deixado os cargos no início do mês, pois dessa forma poderia de candidatar a um segundo governo. Eles também se opõem à permanência do atual presidente do Conselho Supremo Eleitoral, Roberto Rivas, cujo mandato se encerra nas próximas semanas e a quem atribuem as fraudes nas eleições municipais de 2008, vencidas pela FSLN.

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