Disputa republicana chega à Flórida

Artilharia pesada. Próxima etapa das primárias será marcada por ataques entre o ex-presidente da Câmara dos Representantes Newt Gingrich, vencedor na Carolina do Sul, e o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, que até então era o único favorito

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2012 | 03h08

Os republicanos se preparam para uma guerra aberta entre os dois principais candidatos do partido nas primárias da Flórida no dia 31. A expressiva vitória do ex-presidente da Câmara dos Representantes Newt Gingrich na Carolina do Sul alterou completamente o cenário que apontava, até dias atrás, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney como o inevitável escolhido para ser o rival nas eleições de novembro contra o presidente Barack Obama.

Embalado pela vitória descrita por muitos analistas como "arrasadora" na noite de sábado, Gingrich usará na Flórida os debates para tentar se consolidar como a melhor alternativa para derrotar Obama na disputa pela Casa Branca. Na avaliação de especialistas e de pesquisas de opinião, sua arrancada espetacular na Carolina do Sul ocorreu graças a seu talento para debater e enfrentar não apenas os adversários, mas também os moderadores.

Em entrevistas para uma série de programas de TV no domingo, o ex-presidente da Câmara nos anos 90 deixou claro que sua estratégia será a de se mostrar como uma antítese do poder das "elites em Washington e de Nova York", termo que ele usou bastante durante o seu discurso da vitória na Carolina do Sul.

"Não temos o dinheiro que um dos candidatos possui. No entanto, temos ideias e o apoio da população. Com a força popular e as ideias certas, podemos derrotar o poder do dinheiro", afirmou o pré-candidato em ataque indireto ao rival.

Ataques. Romney, por sua vez, deve investir pesado nos ataques por meio de uma campanha mais estruturada do que a do adversário. Um dos alvos será o trabalho de consultoria de Gingrich para a Freddie Mac e Fannie Mae. As duas agências estão entre as principais responsáveis pela a crise financeira de 2008 que culminou na maior recessão da história dos EUA desde a Grande Depressão dos anos 30.

Anunciando que divulgará a sua declaração de imposto de renda amanhã, o ex-governador também promete atacar Gingrich por sua inexperiência na iniciativa privada. "O presidente Obama não tem experiência em dirigir uma empresa ou um Estado. Mas nosso partido tampouco pode ter como candidato alguém que nunca governou um Estado ou dirigiu uma empresa", afirmou Romney, em crítica a Gingrich.

A campanha do ex-governador de Massachusetts buscará também desmontar a versão de que Gingrich não integra o establishment em Washington. "Como ele pode dizer isso foi deputado e lobista nos últimos 40 anos?", questionou Romney.

Essas propagandas negativas de Romney tiveram efeito em Iowa, quando a candidatura de Gingrich caiu nas pesquisas e acabou deixando o ex-presidente da Câmara em uma distante quarta colocação no Estado.

Novas pesquisas. Depois dos resultados da Carolina do Sul, a margem que Romney tinha à frente dos outros candidatos republicanos foi pulverizada. Segundo estimativa da CNN, Romney ainda mantém a primeira posição, com 31 delegados, seguido de Gingrich, com 26, Ron Paul, com 10, e Rick Santorum, com 8.

No entanto, de acordo com o New York Times e a Associated Press, Gingrich teria ultrapassado Romney. O ex-presidente da Câmara aparece com 23 delegados. Romney tem 19 e Santorum, 13. As divergências são em razão de muitos delegados serem escolhidos de fato em convenções distritais e estaduais, o que não impede o cálculo feito com base no voto popular.

Na Flórida, o vencedor leva todos os 50 delegados em disputa. Ao todo, são necessários 1.144 para ser o escolhido do partido na Convenção Republicana, marcada para 27 de agosto.

Campanha. Ontem, estrategistas diziam que Santorum fará campanha na Flórida, pois existe a expectativa de que Romney consiga mais uma vez afetar a popularidade de Gingrich e os votos caiam no colo do ex-senador da Pensilvânia, como ocorreu em Iowa.

Sem dinheiro, Paul já avisou que praticamente não fará campanha na Flórida. Ontem, ele disse que se concentrará em Estados que realizam caucus, sistema favorece um candidato que, como ele, usa uma rede de jovens voluntários e minimiza a necessidade de comprar anúncios na TV.

No entanto, Paul confirmou presença nos debates desta semana, nos quais pretende, mais uma vez, difundir sua política externa isolacionista e defender o fim do Fed (o banco central dos EUA).

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