Disputas regionais ameaçam unidade de partido de Chávez

Facção do PSUV em Bolívar rompe com o presidente, diz que ele não é 'dono da revolução' e não o apoiará

LUIZ RAATZ, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2012 | 03h02

A pouco mais de cinco meses das eleições presidenciais da Venezuela, uma corrente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) no Estado de Bolívar retirou o apoio ao presidente Hugo Chávez. É a segunda cisão regional no campo chavista desde a recaída no estado de saúde do líder bolivariano, em fevereiro. No mês passado, o governador de Monagas, José "Gato" Briceño, foi expulso do PSUV por criticar o governo.

Segundo analistas políticos venezuelanos, disputas internas são comuns no país, mas a incerteza política criada pela descoberta de um novo câncer pélvico no presidente - que em outubro disputará seu quarto mandato e está há nove dias em tratamento em Cuba - tem acirrado as disputas.

A facção favorável à realização de primárias em Bolívar, liderada por Eloy Tarazona, enviou uma carta a Chávez e ao vice-presidente da legenda, Diosdado Cabello, na qual diz ao presidente que a "revolução bolivariana" não pertence a ele.

"Se o senhor decidir dar as costas à realidade, tenha a certeza de que não será nosso candidato à presidência", diz o texto, publicado pelo jornal El Nacional. "A revolução, ainda que seja dirigida circunstancialmente pelo senhor, não lhe pertence. Ela é do povo."

Tarazona é contra a reeleição do atual governador Francisco Rangel Gómez. As eleições ocorrerão apenas em 2015, mas o chavismo deu sinais de que vê com bons olhos o continuísmo no Estado ao designar Rangel Gómez como coordenador da campanha de Chávez em Bolívar.

A corrente liderada por Tarazona acusa o governador de corrupção e pediu a instalação de uma comissão para investigar denúncias de irregularidades.

"Chávez é o amálgama de diversas correntes que formam o PSUV", explica o cientista político Omar Noria, da Universidade Simón Bolívar. "A doença dele catalisa as diferenças no partido."

Para Oscar Reyes, da Universidade Central da Venezuela, as disputas regionais são comuns no país e a de Bolívar não foge à regra. No entanto, a doença de Chávez abriu espaço para que essas disputas sejam mais explícitas. "É algo natural na política venezuelana, já aconteceu em outras oportunidades", ressalta. "Mas Chávez ainda é forte e favorito." O rival do presidente em outubro será o governador de Miranda, Henrique Capriles.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.