Dissidência chavista vira fiel da balança

CARACAS

Roberto Lameirinhas ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2010 | 00h00

Em meio ao discurso triunfalista tanto do presidente venezuelano, Hugo Chávez, quanto de seus adversários da Mesa de Unidade Democrática (MUD) - com os dois lados declarando-se vencedores das eleições legislativas de domingo -, uma terceira força surgiu das urnas como o fiel da balança, cujo papel pode ser determinante até as eleições presidenciais de 2012. O Partido Pátria para Todos (PPT), que se afastou do chavismo por não aceitar se incorporar na legenda oficial, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), viu sua importância política multiplicar-se no domingo, apesar de ter elegido apenas 2 dos 165 deputados da Assembleia Nacional, ambos no Estado Amazonas.

"Somos a força independente, de centro, que se apresenta como alternativa política real para os venezuelanos, em médio e longo prazos", celebrava ontem o secretário-geral do PPT, José Albornoz, em conversa com jornalistas. "Nos entendemos como uma nova força de esperança para todos os venezuelanos."

O equilíbrio da votação nacional de domingo e a composição da Assembleia explicam o crescimento da importância do PPT. O PSUV obteve, em termos de votação nacional, 5.422.040 votos e a MUD, 5.320.175. Como o movimento de oposição interpreta que os 330.260 votos do PPT são votos anti-Chávez, argumenta que os chavistas já não são maioria no país e podem ser derrotados em 2012. Por outro lado, em razão do sistema de proporção eleitoral, o PSUV ficou com 98 votos na Assembleia e a MUD, 65. Se tivesse 110 deputados, Chávez teria autonomia para legislar sobre qualquer tema sem ter de negociar com a oposição e, com apenas mais 1 voto, o partido chavista obteria a maioria qualificada de três quintos, com a prerrogativa de governar por decreto.

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