Abel Padron / Agência Cubana de Notícias / AP
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Dissidência cubana nos EUA ataca reformas na Constituição do país

Os exilados que vivem em Miami afirmaram que a reforma é uma manobra visando 'legalizar o regime dos militares e proteger os interesses e poder da família Castro'

O Estado de S.Paulo

23 Julho 2018 | 19h49

MIAMI - Dissidentes cubanos em Miami criticaram a reforma da Constituição aprovada no domingo pela Assembleia Nacional de Cuba, e que será submetida a consulta popular entre 13 de agosto e 15 de novembro. “A reforma é uma manobra visando “legalizar o regime dos militares e proteger os interesses e poder da família Castro”, afirmaram nesta segunda-feira, 23, dois grupos de exilados.

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Segundo os dissidentes, a reforma pretende estabelecer um “governo dos militares, para abrir caminho para a nova geração dos Castro”, disse Orlando Gutierrez, secretário-geral do Grupo de Direção Democrática. Segundo Gutiérrez, a anunciada reforma constitucional converte o Conselho Geral de Defesa no governo de verdade da ilha e enfraquece o poder civil.

Ramón Saúl Sánchez, presidente do Movimento Democracia, argumenta que esta reforma constitucional não envolve qualquer modificação do sistema político comunista na Ilha. “Eu suspeito que Raúl Castro quer criar a posição de primeiro-ministro para um de seus filhos, Alejandro ou Mariela, ou algum aliado incondicional”, disse Saúl Sánchez, para quem a reforma visa apenas “dar proteção aos interesses e segurança da família Castro”.

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Para eles, a exclusão da palavra comunismo do texto é uma simples “tática”, já que o Partido Comunista continua sendo o único autorizado a atuar politicamente. “É um insulto à inteligência e uma maneira virtual de fingir as condições de uma revolução progressiva que trará liberdade para os cubanos”, afirmou Gutiérrez.

A opositora Rosa María Payá, filha do dissidente Oswaldo Payá, afirmou à agência Efe que a reforma é uma ferramenta da qual a “ditadura precisa desesperadamente para acalmar o descontentamento das pessoas, legitimar o regime e disfarçar a morte iminente dos chamados líderes históricos”. “Esse processo não passa de uma fraude.”

A reforma da Constituição prevê a eliminação das referências ao comunismo, mantendo o socialismo como política de Estado, o reconhecimento da propriedade privada (eliminada n a Revolução de 1959), a instituição do cargo de primeiro-ministro e a modificação da definição de matrimônio, o que facilitarua o casamento homossexual. / EFE

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