EFE/José Jácome
EFE/José Jácome

Dissidência das Farc diz que equipe de imprensa equatoriana alvo de sequestro foi morta

Em comunicado, grupo culpa governos de Colômbia e Equador pelas mortes do repórter Javier Ortega, do fotógrafo Paúl Rivas, e do motorista Efraín Segarra, que teriam ocorrido durante operação de resgate fracassada; Quito não confirma relato

O Estado de S.Paulo

11 Abril 2018 | 11h24

BOGOTÁ - Uma dissidência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) afirmou neta quarta-feira, 11, que três membros de uma equipe de imprensa do jornal equatoriano El Comercio, sequestrados no fim de março, foram mortos durante uma operação de resgate fracassada. O governo equatoriano nega ter realizado a ação e afirma que está investigando se a informação dos guerrilheiros é verdadeira.

Em vídeo, jornalistas equatorianos sequestrados aparecem acorrentados e pedem resgate; veja

Em comunicado na manhã de quarta-feia, 11, a frente dissidente Oliver Sinisterra, que teria realizado o sequestro e pedido em troca a libertação de três guerrilheiros detidos no Equador, afirmou que colombianos e equatorianos tentaram “por via militar” resgatar a equipe e “não quiseram salvar a vida dos três”. O governo colombiano afirmou que não podia confirmar a autenticidade do comunicado dos rebeldes.

O jornalista Javier Ortega, de 32 anos, o fotógrafo Paúl Rivas, de 45 anos, e o motorista Efraín Segarra, de 60 anos, foram sequestrados no dia 26 de março e apareceram em um vídeo, na semana passada, acorrentados para dizer que estavam em poder do grupo dissidente. 

A frente Oliver Sinisterra tem entre 70 e 80 integrantes e é comandada pelo equatoriano Walter Artízala, conhecido como Guacho, um dos homens mais procurados dos dois lados da fronteira. Segundo informações da imprensa colombiana, os sequestrados no Equador foram levados para o lado colombiano. Na quarta-feira, 11, o ministro da Defesa da Colômbia, Luis Villegas, não confirmou a informação. 

“A frente Oliver Sinisterra lembra os governos do Equador e da Colômbia que não somos um grupo de delinquentes ou narcotraficantes, como nos chamam. Somos guerrilheiros das Farc e temos nossos próprios princípios e ideais, lembrando que voltamos ao campo de batalha em razão da irresponsabilidade do governo colombiano ao não cumprir os acordos pactuados com a direção do secretariado das Farc”, conclui o comunicado dos guerrilheiros. 

Desde a assinatura do acordo de paz entre as Farc e Bogotá, frentes que não aceitaram os termos do pacto deixaram o grupo – que se tornou partido político e terá representação de 10 cadeiras no Congresso. 

Guacho, por exemplo, é acusado de ataques que deixaram quatro militares mortos e 42 militares e civis feridos desde janeiro. Além disso, a frente realizou, segundo Bogotá, três ataques contra a infraestrutura que deixaram 200 mil moradores de Tumaco sem energia. O site Insight Crime, que monitora e analisa a atividade de grupos criminosos, afirma que Guacho é um dos responsáveis por enviar cocaína para cartéis do México. / AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.