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Ai Weiwei retira     obras de exibições na Dinamarca em protesto à lei contra refugiados

Cartunistas de vários jornais também reagiram e Steve Bell, do 'Guardian', retratou o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, em uniforme nazista

O Estado de S. Paulo

27 Janeiro 2016 | 15h45

COPENHAGUE - O artista e dissidente chinês Ai Weiwei anunciou que vai se retirar de duas exibições montadas na Dinamarca em protesto contra a lei de asilo aprovada na terça-feira pelo Parlamento dinamarquês que permite confiscar bens de refugiados. Esses bens, segundo o governo, seriam para pagar pela acomodação dos refugiados. 

A decisão de Ai Weiwei é a mais recente reação cultural contra a Dinamarca, cuja medida atingiu os refugiados que buscam por asilo. Cartunistas de vários jornais também se manifestaram, incluindo Steve Bell, do jornal Guardian, que retratou o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, usando um uniforme nazista. 

Ai, conhecido por suas críticas aos abusos de direitos humanos da China, disse em sua conta no Instagram nesta quarta-feira que ele estava "chocado" com a decisão do governo dinamarquês de "confiscar a propriedade privada de refugiados". "Como resultado dessa decisão retrógrada, devo me retirar de sua exibição 'Uma Nova Dinastia Criada na China' para expressar meu protesto contra a decisão do governo", disse Ai, se dirigindo aos organizadores da exibição do museu de arte ARos in Aarhus.  

O trabalho do artista chinês, um homem feito de bambu de 12 metros, faz parte de uma exibição sobe a China contemporânea aberta pelo museu em novembro e programada para até o fim de maio. "Estamos aguardando pelos próximos passos", comentou o museu. 

Ai disse que também estava encerrando sua exibição Ruptures na Faurschou Foundation em Copenhague. O gabinete do primeiro-ministro e do Ministério da Cultura não comentaram a decisão. 

No ano passado, Ai acusou a empresa Lego de censura depois que a fabricante de brinquedos se recusou a fornecer peças para sua obra em razão de seu ativismo político. Lego, mais tarde, voltou atrás em sua decisão. / REUTERS 


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