Dissidente chinês é achado morto e família vê indício de crime

Um dissidente chinês preso depois das manifestações pró-democracia de 1989 em Pequim foi achado morto num hospital da região central da China sob circunstâncias suspeitas, disseram familiares e organizações de direitos humanos.

REUTERS

06 de junho de 2012 | 17h51

Li Wangyang foi achado por sua irmã e seu cunhado nesta quarta-feira aparentemente enforcado com uma atadura, num hospital de Shaoyang, na província de Hunan. Autoridades hospitalares e de segurança disseram que ele cometeu suicídio. A família, no entanto, contestou essa versão, dizendo que as circunstâncias da morte motivam suspeitas.

Uma foto do corpo pendurado, tirada pela família, mostra o dissidente com os dois pés no chão, o que contraria a tese de suicídio por enforcamento.

"Ele ficou preso por mais de 20 anos e não morreu", disse sua irmã, abalada, a uma TV de Hong Kong. "Aí, então, o resultado é esse."

"Ele é uma pessoa com muita força de vontade", disse seu amigo Yin Zhengan ao mesmo canal. "Nunca senti que ele quisesse se matar."

Em nota, várias organizações de direitos humanos, inclusive o Centro de Informações para os Direitos Humanos e a Democracia na China, disseram que as autoridades podem ter forjado o suicídio depois de torturá-lo.

O ativista Lee Cheuk-yan, de Hong Kong, que conversou com a família do morto, disse que Li estava sob constante vigilância, e que os guardas poderiam ter evitado uma eventual tentativa de suicídio. "As circunstâncias são muito suspeitas", afirmou.

Li passou 22 anos preso por causa do seu ativismo em causas trabalhistas em Shaoyang, especialmente durante os protestos de 1989. Ele foi solto no ano passado e estava hospitalizado devido a diversos problemas de saúde, inclusive oculares e auditivos.

(Reportagem de James Pomfret)

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