Fred Dufour/AFP
Fred Dufour/AFP

Dissidente chinês é condenado a 12 anos de prisão

Huang Qi fundou o site '64 Tianwang', que recorda a repressão sangrenta ao movimento de protesto da Praça da Paz Celestial

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2019 | 07h33

PEQUIM - O dissidente chinês Huang Qi foi sentenciado nesta segunda-feira, 29, a 12 anos de prisão. Ele foi considerado culpado de "divulgar segredos de Estado" a uma "entidade estrangeira" e teve 200 mil yuans (26,1 mil euros) confiscados de seus bens pessoais, informou em um comunicado o Tribunal Popular Intermediário de Miangyang. Não foi informado qual o tipo de informação vazada e com quem elas teriam sido compartilhadas.

Em 1998, o chinês criou o site 64 Tianwang, que recorda a repressão sangrenta do movimento de protesto da Praça da Paz Celestial, em Pequim, em 4 de junho de 1989 (conhecido na China como '6-4'). O portal também denunciava violações dos direitos humanos. Quatro anos depois, ganhou um prêmio de liberdade de imprensa da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Ele foi o primeiro opositor chinês a cumprir uma sentença de prisão por usar a internet para fins políticos, em 2000.

Em 2009, foi novamente sentenciado, desta vez a três anos de prisão, depois de denunciar o péssimo estado de construção de escolas que desabaram no ano anterior durante o terremoto de Sichuan, que deixou 87 mil mortos e desaparecidos.

Organizações de direitos humanos dizem que o dissidente estaria com problemas de saúde. Ele já havia sido preso em 2016, logo após ganhar novamente o prêmio da RSF. A mãe de Huang, Pu Wenqing, pediu às autoridades que o transfiram para um hospital, uma vez que ele tem a função renal limitada e perdeu muito peso na prisão.

A pena mais pesada imposta a um opositor político desde que o presidente Xi Jinping chegou ao poder é a de Qin Yongmin, condenado no ano passado por "subversão" a 13 anos de prisão. / AFP e AP

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