Dissidente chinês leva prêmio de direitos humanos da UE

Apesar da pressão do governo de Pequim contra a premiação, Hu Jia é homenageado pelo bloco europeu

Agência Estado e Associated Press,

23 de outubro de 2008 | 08h54

O dissidente chinês Hu Jia venceu o principal prêmio para direitos humanos da União Européia nesta quinta-feira, 23. Ele foi apontado apesar da ameaça realizada por Pequim de que essa escolha prejudicaria seriamente as relações com o bloco de 27 países. Hu foi apontado para o Prêmio Sakharov por membros do Parlamento Europeu a partir de uma lista de três nomes. Os outros candidatos eram da Bielo-Rússia e do Congo. Alguns parlamentares afirmaram que a pressão do governo chinês foi contraproducente. "Hu Jia é um dos verdadeiros defensores dos direitos humanos na República Popular da China", afirmou o presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Poettering. "O Parlamento Europeu está enviando um sinal claro em prol de todos que apóiam os direitos humanos na China." Segundo Charles Tannock, porta-voz para assuntos estrangeiros dos Conservadores Britânicos na Casa, a premiação serviu para mostrar que a pressão chinesa que os "membros do Parlamento Europeu não serão silenciados como muitos dissidentes chineses foram". Antes do anúncio, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que a escolha do dissidente seria uma interferência em assuntos internos do país. "Nós todos sabemos que tipo de pessoa Hu Jia é. Ele é um criminoso, condenado por incitar a subversão ao governo", disse o porta-voz Qin Gang em Pequim. "Dar um prêmio para um criminoso como esse é interferência na soberania judicial chinesa e totalmente contrário à proposta inicial desse prêmio." O embaixador chinês para a UE chegou a escrever a Poettering na semana passada, afirmando que a escolha de Hu prejudicaria seriamente as relações da China com o bloco. O prêmio leva o nome do dissidente soviético Andrei Sakharov. A distinção foi anunciada quando líderes da UE se reúnem em Pequim para encontros com líderes asiáticos na sexta-feira e no sábado, a fim de discutir uma solução global para a crise financeira internacional. Hu é um dissidente ativo, que divulgou as prisões e o assédio sofrido por outros dissidentes antes de ser sentenciado em abril a três anos e meio de prisão. Autoridades de Pequim afirmaram que ele trabalharia com estrangeiros para protestar durante a Olimpíada na capital. Hu tinha o apoio do Partido do Povo Europeu, maior bancada do Parlamento Europeu, de 785 membros, ao lado dos Liberais e dos Verdes. "Conceder o Prêmio Sakharov a Hu Jia coloca os direitos humanos de novo no cerne das relações UE-China, após o fracasso da China em manter suas promessas de antes da Olimpíada de melhorar seus padrões de direitos humanos", afirmou um comunicado dos líderes Verdes, Daniel Cohn-Bendit e Monica Frassoni. Os Socialistas, segundo maior grupo na Casa, apoiavam Abbe Apollinaire Malu-Malu, que teve papel fundamental nas primeiras eleições no Congo em 50 anos, em 2006. O outro candidato era o líder oposicionista bielo-russo Alexander Kozulin. Hu também era apontado como um dos favoritos para ganhar o Prêmio Nobel neste ano, o que também gerou duras críticas do governo chinês. O escolhido para esse prêmio foi o ex-presidente finlandês Martii Ahtisaari. O prêmio do bloco europeu inclui 50 mil euros (US$ 64 mil) e começou a ser entregue em 1988. Entre os que já venceram estão o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, o líder de Timor Leste Xanana Gusmão e o dissidente cubano Oswaldo Payá.

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