Dissidente chinês pega 11 anos de prisão por 'subversão'

Ele foi julgado como co-autor de uma carta que pedia profundas reformas políticas ao país asiático

Efe,

25 de dezembro de 2009 | 02h14

Liu Xiaobo, um dos dissidentes políticos mais conhecidos da China, foi condenado nesta sexta-feira, 25, a 11 anos de prisão por "incitar atividades de agitação destinadas a derrubar o governo", informou a agência oficial Xinhua. A União Europeia (UE), os Estados Unidos e grupos de direitos humanos denunciaram o processo e pediram a libertação de Liu, mas a China acusou todos de interferência em seus assuntos internos.

 

Ele foi julgado por um tribunal de Pequim como co-autor de um documento em que pedia profundas reformas políticas no país, datado de 2008. O rápido andamento do processo foi criticado. Segundo a condenação, Liu "estimulou a subversão contra o poder estatal".

 

Escritor e ex-professor universitário, Liu estava preso desde 2008, quando foi detido sob a acusação de ter escrito a carta. O documento pedia mais liberdades e reformas democráticas na China, além do fim do regime comunista de partido único. Ele critica o regime desde os protestos democráticos dos estudantes na Praça da Paz Celestial, em junho de 1989.

 

Crítica

 

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) classificou como "vergonhosa" a condenação. "Liu Xiaobo vai passar os próximos 11 anos de sua vida na prisão, quando não fazia outra coisa senão defender a liberdade de expressão e participar da reflexão sobre o futuro político de seu país junto com muitos intelectuais chineses. É uma vergonha", declarou a entidade em um comunicado.

 

"Onde estão os valores universais da liberdade de expressão que supostamente a China deve representar durante a Exposição Universal de Xangai em 2010?", questionou a organização de defesa da liberdade de imprensa. Para a RSF, as "pressões nacionais e internacionais para obter a libertação deste célebre dissidente deveriam agora dobrar sua força".

 

Liu recebeu o prêmio Repórteres sem Fronteiras em 2004.

 

Atualizado às 10h42 para acréscimo de informações.

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