Dissidente cubano Guillermo Fariñas ganha prêmio Sakharov 2010

Premiação do Parlamento Europeu é entregue devido a compromisso com os direitos humanos

Efe

21 de outubro de 2010 | 08h59

'Está na hora de a ditadura em Cuba acabar', diz o dissidente.

 

ESTRABSURGO - O dissidente cubano Guillermo Fariñas recebeu o prêmio Sakharov de liberdade de consciência concedido a cada ano pelo Parlamento Europeu, informaram fontes parlamentares nesta quinta-feira, 21.

 

A candidatura de Fariñas, impulsionada pelas forças conservadoras da Eurocâmara, se impôs frente aos outros dois finalistas: a ONG israelense Breaking the Silence (Rompendo o Silêncio) e a política etíope Birtukan Mideksa.

 

O jornalista e psicólogo cubano é o terceiro opositor ao regime castrista reconhecido pelo Parlamento com o Sakharov, depois dos prêmios concedidos a Oswaldo Payá (2002) e às Damas de Branco (2005).

 

Fariñas transformou-se nos últimos anos em um dos símbolos da oposição cubana, após mais de 20 greves de fome em protesto pela falta de liberdade na ilha. O último jejum voluntário se estendeu de fevereiro a julho em homenagem a seu companheiro dissidente Orlando Zapata Tamayo, morto por longa greve de fome. Fariñas chegou a ser hospitalizado, inconsciente e desidratado, como consequência de seu protesto, protagonizando imagens que provocaram forte impacto midiático.

 

A concessão do Sakharov ao opositor cubano representa um claro gesto do Parlamento Europeu poucos dias antes dos ministros de Exteriores dos 27 estados se reunirem para analisar as relações entre a União Europeia e Cuba.

 

A centro-direita da Eurocâmara, especialmente o Partido Popular Europeu (PPE), se opõe frontalmente a modificar a chamada "posição comum", que condiciona a relação a avanços em matéria de direitos humanos.

 

Nos últimos meses, o governo espanhol e o então ministro de Assuntos Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, lideraram as tentativas para superar essa postura de abrir diálogo com Havana. Madri fez parte do diálogo que culminou com a decisão de Cuba de libertar 52 presos políticos.

 

O prêmio Sakharov é uma homenagem à memória do dissidente soviético Andrei Sakharov e é entregue anualmente a personalidades ou coletivos que ganhem destaque por seu compromisso com os direitos humanos, proteção de minorias, cooperação internacional e desenvolvimento da democracia e do Estado de Direito.

 

Entre os ganhadores em edições anteriores figuram o sul-africano Nelson Mandela (1988), as Mães da Praça de Maio (1992), o coletivo espanhol contra o terrorismo da ETA "¡Basta Já!" (2000) e o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan (2003). A cerimônia solene de entrega do prêmio ocorrerá em dezembro durante a sessão plenária que o Parlamento Europeu realizará em Estrasburgo (França).

 

Fariñas, após receber a notícia do prêmio, disse que "já é hora de a ditadura acabar" em Cuba.

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