Dissidente da Irmandade Islâmica torna-se o favorito nas pesquisas

Abdel Moneim Aboul Fotouh já foi vizinho de cela de Ayman al-Zawahiri, o egípcio que agora comanda a Al-Qaeda, enquanto ambos estavam nos porões da ditadura de Hosni Mubarak. Mas os caminhos dos dois foram opostos e, enquanto Zawahiri prega a luta contra os infiéis, Fotouh chega à eleição como o único candidato de peso na disputa a conseguir, ainda que timidamente, construir uma coalizão apoiada em islâmicos e laicos.

O Estado de S.Paulo

20 Maio 2012 | 03h03

Médico de 60 anos, graduado na Califórnia, ele iniciou sua militância política na Irmandade Muçulmana nos anos 70. Ganhou notoriedade no meio estudantil após bater boca com o então presidente Anwar Sadat em uma palestra na Universidade do Cairo. Desde então, subiu rapidamente nos quadros da organização.

Fotouh rompeu com a irmandade no início do ano, de olho na candidatura à presidência. A principal força de oposição dos últimos 80 anos no Egito inicialmente prometeu que não lançaria um candidato à eleição. Em seguida, o grupo voltou atrás e lançou o nome do megaempresário Khairat al-Shater, que foi vetado pela Comissão Eleitoral. A irmandade, então, indicou o pouco carismático Mohamed Morsi - principal rival de Fotouh na luta pelo eleitorado religioso.

"Fotouh não se resume ao aspecto da fé e pode-se dizer que ele é um candidato pós-islâmico", disse ao Estado Hossam Bahgat, um dos principais ativistas de direitos humanos do Egito. Laico, ele apoia o dissidente da irmandade.

No outro extremo do espectro político, os salafistas, ultrarradicais islâmicos, também anunciaram apoio a Fotouh. O grupo radical realizou uma espécie de sabatina com todos os candidatos antes de anunciar quem apoiaria - o salafista Abu Hazam Ismail foi proibido pela Justiça de concorrer. Ao final, com base em critérios práticos, deram apoio a Fotouh. Nos comícios do candidato, a maioria é de islâmicos moderados. Em seus discursos, ele interpõe as palavras democracia e sharia. / R.S.

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