Dissidente defende direito de exilados cubanos voltarem à ilha

Ramón Saúl Sánchez, presidente do Movimento Democracia, classificou em Miami de "ingerência" a advertência dos Estados Unidos de impedir a saída de embarcações do sul da Flórida rumo a Cuba, e reivindicou seu direito de voltar à ilha."Trata-se de uma tentativa dos EUA de neutralizar o exilado cubano em seu apoio à luta cívica pacífica" em Cuba, afirmou Saúl Sánchez, líder de uma das principais organizações do exílio cubano em Miami. "Vamos exigir do governo americano que não impeça a saída de embarcações já posicionadas (cerca de 15 barcos e mais dez aviões) do Movimento Democracia rumo a Cuba", acrescentou.O porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, advertiu na terça-feira em Washington sobre o risco de qualquer tentativa de provocar um êxodo em massa rumo à ilha caribenha. "É importante atualmente dizer ao povo que fique onde estiver. Este não é o momento para que as pessoas tentem se lançar ao mar e saiam" dos EUA, acrescentou Snow.O governo dos EUA chegou a considerar a possibilidade de um bloqueio naval com seus serviços de segurança costeira para impedir que embarcações cheguem a Cuba vindas do sul da Flórida. Ao mesmo tempo, também evitaria um possível êxodo de cubanos em direção ao Estado da Flórida. Sobre isso, Ramón Saúl Sánchez afirmou que o fundamental é que não se restrinja "o direito dos exilados cubanos de entrar na ilha, para lutar com a dissidência interna".O ativista deixou claro que questionará o governo sobre uma cláusula secreta do plano aprovado pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que busca impulsionar um processo de transição rumo à democracia em Cuba. De acordo com Saúl Sánchez, tal cláusula permitiria a detenção temporária de dirigentes de grupos do exílio cubano que tivessem o propósito de ir para a ilha caribenha. "Isso é claramente uma posição de ingerência dos Estados Unidos, que neutralizam a possibilidade de "apoiar a dissidência interna." Saúl Sánchez ressaltou ainda "o dever e o direito do exílio cubano de unir-se à oposição cívica pacífica antes de poder ser esmagada". "Como cubano, tenho direito a entrar e estou disposto a ir para a prisão ou para o túmulo. Os Estados Unidos não podem nos atar as mãos por mais tempo e nos enganar com mais promessas falsas", completou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.