Dissidente é indiciado na China por poema 'subversivo'

As autoridades chinesas indiciaram por subversão o veterano dissidente Zhu Yufu, autor de um poema que conclama as pessoas a defenderem sua liberdade, disse o advogado dele nesta terça-feira.

SUI-LEE WEE, REUTERS

17 de janeiro de 2012 | 09h26

Vários dissidentes têm sido alvo de uma onda de repressão na China. Zhu, de 60 anos, foi preso em abril por "incitar à subversão do poder estatal", acusação frequentemente imputada a críticos do regime comunista. O advogado Li Dunyong disse à Reuters por telefone que o julgamento dele ainda não tem data marcada

"A principal razão para o indiciamento foi um poema que ele escreveu convocando as pessoas a se unirem. Ele havia escrito o poema mais ou menos na mesma época em que havia caos (no Oriente Médio)", disse Li. "Ele acredita na liberdade de expressão."

Li foi informado oficialmente do indiciamento na segunda-feira em um tribunal de Hangzhou (leste), e disse que se encontrou com Zhu, que está "em boas condições".

Na terça-feira, os telefonemas à Corte Intermediária de Hangzhou não foram atendidos.

O poema de Zhu, escrito há quase um ano, chama-se "É hora". Diz um trecho: "É hora, povo chinês!/A praça pertence a todos/ os pés são seus/é hora de usar seus pés e ocupar a praça para fazer uma escolha".

Li disse que o poema foi publicado na internet, mas que Zhu nada tem a ver com conclamações que apareceram na rede por uma "Revolução de Jasmim" inspirada nas revoltas da Primavera Árabe.

Essa mobilização começou em um site chinês do exterior, bloqueado à maioria dos usuários da China continental. Os poucos protestos que efetivamente aconteceram foram pequenos e rapidamente dissolvidos. Dezenas de dissidentes foram detidos nos últimos meses por causa dessa campanha.

Li disse que vai defender Zhu com base no seu direito à liberdade de expressão, mas admitiu que há grande possibilidade de ele ser condenado.

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