Dissidentes amenizam discurso anticastrista

Nova política de Obama para Cuba tem aprovação dos exilados mais conservadores de Miami

Nick Miroff, The Washington Post, O Estadao de S.Paulo

28 de abril de 2009 | 00h00

Agências de viagens especializadas em voos fretados dizem que, nas duas semanas após a suspensão das restrições de viagem a Cuba de americanos com parentes na ilha, a demanda por voos para Havana a partir de Miami aumentou muito. Ao mesmo tempo, conversas com imigrantes cubanos nos EUA mostram que os dissidentes mais conservadores estão amenizando o discurso. Até recentemente, uma medida do governo George W. Bush, de 2004, limitava as viagens de cubano-americanos com parentes em Cuba a uma vez a cada três anos. Ficava restrito também o envio de presentes e de dinheiro para parentes na ilha.Cumprindo uma promessa de campanha, o presidente dos EUA, Barack Obama, revogou as restrições, apesar das objeções de líderes cubano-americanos no Congresso, que defendem as restrições, dizendo que as viagens socorrem a economia cubana e ajudam os irmãos Castro a se manter no poder. Residentes americanos sem parentes em Cuba ainda estão proibidos de viajar para a ilha, mas muitos dissidentes esperam que isso mude. Com o sinal verde, agências de viagem responsáveis por 35 voos semanais a Cuba disseram que o número de pedidos de reserva dobrou. MUDANÇAA necessidade de ampliação da capacidade de carga para acomodar o excesso de bagagem é tanta que uma das agências, a Xael Charters, teve de enviar um pequeno avião de carga, apelidado de "El Mosquito", para acompanhar seus voos.O boom nas viagens reflete uma mudança cada vez mais acelerada na atitude diante das medidas americanas em relação a Cuba. Uma pesquisa feita em abril pela Bendixen & Associates descobriu que 64% dos cubano-americanos apoiavam a nova política de Obama. Uma parcela ainda maior, 67%, disse que a permissão para viajar para a ilha deveria ser estendida a todos os americanos. O apoio ao embargo econômico imposto a Cuba pelos EUA em 1962 também erodiu nos últimos três anos. Segundo a pesquisa, ele caiu de 53% para 42%. Os resultados mostram pontos de vista diferentes. Os cubanos mais jovens e aqueles que chegaram recentemente aos EUA demonstram maior apoio à liberalização, enquanto os exilados mais antigos ainda apoiam o embargo e se opõem às viagens.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.