Dissidentes articulam manifestação

Com a intenção de manifestar-se contra a nova onda de repressão do regime cubano e melhorar a situação dos presos políticos do regime, entidades de defesa dos direitos humanos estão organizando uma marcha que pretende atravessar a Rodovia Central, estrada de 1,25 mil km que corta o país, em direção a Havana. Ainda em fase de organização, o protesto deve ocorrer nos próximos meses, segundo dissidentes envolvidos na ação.

Guilherme Russo, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2011 | 00h00

Responsável pela articulação da "Marcha pela Liberdade", o dissidente Ángel Moya Acosta explicou ao Estado que "o primeiro objetivo é que o governo ratifique os tratados internacionais no respeito aos direitos humanos dos presos, para que a tortura realizada pelo Departamento de Segurança de Estado (polícia política cubana) acabe". "O segundo é que (Havana) cesse a repressão contra a oposição pacífica. O terceiro é a liberdade de todos os presos políticos", disse.

A marcha deverá partir das províncias orientais de Cuba, mas, na opinião de Moya, poderá não chegar às ruas de Havana. "Esperamos e estamos preparados para a resposta violenta do governo cubano. Responderemos com resistência cívica e pacífica", afirmou.

Para poder participar da organização do protesto, o ativista Guillermo Fariñas interrompeu a greve de fome que realizava por causa da morte de Juan Wilfredo Soto depois de uma semana, no dia 11. "Pensei em levar (o protesto) às últimas consequências, mas opositores com a saúde delicada me "ameaçaram" afirmando que fariam greves de fome caso eu não parasse a minha. Eles me fizeram perceber que minha atitude, nesse momento, deve ser outra", disse.

Fariñas contou que esses dissidentes o chamaram para participar da organização da marcha e do movimento político Cruzada pela Democracia, que pretende atuar com propostas para a mudança do regime no país.

Repressão esperada. Na opinião dos opositores cubanos, a pressão do governo de Raúl Castro não é surpresa. "O presidente havia deixado claro (em abril, no 6.º Congresso do Partido Comunista de Cuba) que não permitiria os protestos. O aumento da repressão eleva o número de pessoas com o pensamento pobre, o que é interesse do governo", disse Óscar Elías Biscet. "O regime cubano está perdendo o poder, está desmoralizado diante de um povo que exige liberdade e, por isso, aumenta a repressão. Essa é a situação concreta nesse momento", afirmou Moya. "O governo - que tem posicionamentos inseguros - sempre tomou os dissidentes como inimigos. Não há contradição nesse aumento de repressão", disse Fariñas.

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