Dissidentes cubanos libertados chegam à Espanha

Sete presos políticos e suas famílias deixaram Havana; acordo prevê libertação de outros 45.

BBC Brasil, BBC

13 de julho de 2010 | 12h36

Um grupo de sete dissidentes cubanos e suas famílias chegou à Espanha nesta terça-feira para uma nova vida no exílio.

Estes foram os primeiros dos 52 prisioneiros e seus familiares que devem ser libertados segundo um acordo fechado na semana passada entre o governo cubano, a Igreja Católica de Cuba e diplomatas espanhóis.

A Igreja diz que 20 dos 52 dissidentes aceitaram a oferta de exílio na Espanha.

Segundo as autoridades, eles não são obrigados a ficar no país europeu e estarão livres para ir para onde quiserem. Tanto o Chile como os Estados Unidos já ofereceram asilo a eles.

Pelo menos três prisioneiros teriam dito à Igreja que queriam permanecer em Cuba.

Luta

"Somos o início de um caminho que pode ser o começo de uma mudança para o país", disse o grupo por meio de um comunicado lido no aeroporto madrilenho de Barajas.

"Para nós, o exílio é uma continuação da luta, e pode-se lutar de muitas formas."

"Esperamos que aqueles que permanecem em Cuba tenham a mesma liberdade que temos", diz a mensagem.

A mulher de um dos dissidentes libertados, o jornalista Ricardo González, disse à BBC que uma das primeiras coisas que eles querem fazer ao chegar é uma longa caminhada juntos.

Greve de fome

A libertação dos dissidentes anunciada na semana passada poderá ser a maior desta década na ilha comunista.

Todos os prisioneiros que devem ser libertados fazem parte de um grupo de 75 detidos em 2003 e condenados à prisão com penas variando entre seis a 28 anos. Os outros 23 prisioneiros já foram libertados.

Depois que o acordo foi anunciado, na semana passada, o dissidente Guillermo Fariñas, que estava à beira da morte, encerrou a greve de fome que mantinha havia 130 dias.

No domingo, um grupo de mães e mulheres dos prisioneiros políticos - conhecido como Damas de Branco - realizaram sua marcha semanal por Havana pedindo a libertação de todos os prisioneiros políticos.

Segundo a Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, havia 167 prisioneiros de consciência em Cuba antes da libertação deste grupo.

O governo cubano nega que haja prisioneiros políticos, descrevendo-os como criminosos financiados pelos Estados Unidos para desestabilizar o país.

Horas antes dos dissidentes partirem, o ex-presidente Fidel Castro, de 83 anos, apareceu na TV estatal pela primeira vez em 11 meses.

Em uma entrevista de uma hora e meia, Fidel falou sobre assuntos internacionais como Coreia do Norte e Irã, e voltou a atacar os Estados Unidos. Ele não fez qualquer menção aos prisioneiros.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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