REUTERS/Enrique De La Osa
REUTERS/Enrique De La Osa

Dissidentes cubanos recebem convite para reunião com Obama

Entre os convidados, destacam-se os nomes de Berta Soler, líder do movimento feminino Damas de Branco, José Daniel Ferrer, líder da União Patriótica de Cuba, e da jornalista Miriam Leiva

O Estado de S. Paulo

17 de março de 2016 | 08h54

HAVANA - Vários dissidentes cubanos confirmaram na quarta-feira, 16, que foram convidados para um encontro de "alto nível" com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na embaixada americana em Havana, no próximo terça-feira, durante a histórica visita do líder a Cuba, que começa no domingo.

Entre os que receberam o convite estão a líder do movimento feminino Damas de Branco, Berta Soler; o ex-preso político José Daniel Ferrer, que lidera a União Patriótica de Cuba (Unpacu); e a jornalista independente Miriam Leiva.

Berta, que se recusou a participar de uma recepção privada com o secretário de Estado americano, John Kerry, quando ele este esteve em Havana em agosto para a abertura formal da embaixada, explicou que ainda não decidiu se comparecerá ao encontro com Obama.

Naquela ocasião, Berta não quis comparecer à reunião com Kerry porque os EUA não haviam convidado os dissidentes para o ato formal de abertura da embaixada, mas manteve com eles um encontro posterior de caráter privado, de "baixo perfil", segundo a líder das Damas de Branco.

No caso de Ferrer e Miriam, que estiveram presentes no encontro com Kerry, os dois confirmaram que devem comparecer à reunião na embaixada americana com Obama.

O convite também foi enviado a Elizardo Sánchez, um veterano dissidente que coordena a Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), o único grupo que se dedica a registrar e documentar os casos de repressão e detenções por motivos políticos na ilha.

"Fui convidado por telefone", respondeu Sánchez através de um e-mail enviado dos EUA, onde se encontra de visita, mas seus familiares em Havana informaram que ele voltará à ilha no fim de semana.

Outros opositores como Guillermo Fariñas, ganhador do prêmio Sakharov aos Direitos Humanos em 2010; o diretor do fórum crítico "Estado de Sats" e integrante da iniciativa #TodosMarchamos, Antonio González-Rodiles; e Manuel Cuesta Morúa, do projeto Arco Progressista, assinalaram que também foram convidados.

A visita de Barack Obama a Cuba acontecerá entre os dias 20 e 22, a primeira de um governante dos EUA à ilha em 88 anos, e tem o propósito de ampliar os avanços conseguidos após o restabelecimento de relações diplomáticas e incidir nas melhoras pendentes relativas aos direitos humanos, segundo o próprio Obama disse recentemente.

A Casa Branca adiantou alguns detalhes da agenda do presidente em Cuba. Obama oferecerá na terça-feira um "grande discurso" no Gran Teatro de Havana, e depois se reunirá com "integrantes da sociedade civil" cubana, entre eles, alguns "dissidentes de destaque".

A situação dos direitos e liberdades em Cuba é um dos assuntos mais polêmicos a serem superados nas relações entre a ilha e os EUA, no novo cenário criado após o degelo diplomático que teve início em 17 de dezembro de 2014. / EFE

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