EFE/MAURICIO DUEÑAS CASTAÑEDA
EFE/MAURICIO DUEÑAS CASTAÑEDA

Dissidentes das Farc sequestram funcionário da ONU na Colômbia

O colombiano Arley Lopez, do Escritório das Nações Unidas de combate às Drogas e ao Crime, foi interceptado no sul do país quando trabalhava em projeto de substituição de cultivos ilegais

O Estado de S.Paulo

04 Maio 2017 | 16h42

BOGOTÁ - Um funcionário do Escritório das Nações Unidas de combate às Drogas e ao Crime (ONUDC) que trabalha em um projeto de substituição de cultivos ilegais na Colômbia foi sequestrado por rebeldes dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que rejeitaram o processo de paz, disseram fontes da ONU, da polícia e dos militares nesta quinta-feira, 4.

O funcionário colombiano da ONU Arley Lopez foi raptado por homens armados na véspera perto de Miraflores, em Guaviare, província do sul da Colômbia onde o cultivo de folha de coca alimenta grande parte da produção de cocaína do país há tempos. Ele foi detido em comboio de veículos, disseram as fontes. 

"O Governo rejeita este lamentável fato que atenta contra a substituição voluntária de cultivos ilícitos com as famílias dedicadas ao cultivo de coca em diferentes zonas do país, e contra a integridade do funcionário da ONUDC", indicou o Conselho para o Pós-conflito, que depende da Presidência da Colômbia, em um comunicado.

Em uma declaração emitida pouco depois, o Sistema das Nações Unidas na Colômbia rejeitou a retenção do funcionário. "Estamos trabalhando com as autoridades competentes para a libertação imediata e segura", indicou no texto.

Nesta quinta, o alto conselheiro presidencial para o pós-conflito da Colômbia, Rafael Pardo, disse que aparentemente o funcionário seria libertado. "Hoje ao meio-dia será libertado o funcionário da ONU. Foi sequestrado por uma dissidência das Farc e já anunciaram que irão libertá-lo. Esta ação é absolutamente inaceitável", disse Pardo a jornalistas sobre o incidente. Até o começo da tarde, porém, não havia confirmação da libertação de Lopez.

O sequestro aconteceu no momento em que o Conselho de Segurança da ONU está na Colômbia para debater o acordo de paz assinado no final do ano passado com as Farc para encerrar mais de cinco décadas de conflito na nação andina.

Embora até 7 mil combatentes tenham concordado com o pacto e atualmente estejam envolvidos no processo de entrega das armas à ONU, várias centenas deles se recusaram a fazê-lo. Estes dissidentes formaram um novo grupo criminoso e continuam com o lucrativo negócio do tráfico de drogas que as Farc praticaram durante anos, disseram os militares. A liderança das Farc expulsou os dissidentes.

Durante anos as Farc usaram o tráfico de drogas, os sequestros e a extorsão para financiar sua luta com o governo. / REUTERS, EFE e AFP

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