Dissidentes de Cuba libertados dizem não ver abertura no país

Ex-presos políticos dizem à BBC que sua libertação não seria sinal de mudança política no país

Mike Lanchin, BBC

16 de julho de 2010 | 05h45

 

MADRI - Os ex-prisioneiros políticos cubanos que chegaram nesta semana à Espanha afirmaram em entrevista à BBC que sua libertação não é um sinal de mudança nas condições políticas do país.

 

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Nove dissidentes chegaram na terça-feira em Madri, após um acordo fechado na semana passada entre o governo cubano, a Igreja Católica de Cuba e diplomatas espanhóis, que prevê a libertação gradual de 52 prisioneiros.

Normando Hernandez, um dos ex-prisioneiros, afirmou que os motivos do governo de Cuba precisam ser compreendidos. "Cuba não está se abrindo para a democracia", disse. "Pessoalmente, acredito que é um truque do governo de Cuba. As necessidades econômicas da ilha são enormes. A situação social é crítica", disse. 

"Por isso é que é importante chamar a atenção das comunidades internacionais para este aspecto do governo cubano, para que eles não sejam enganados novamente", disse Hernandez à BBC em Madri. Hernandez foi preso em 2003, supostamente por organizar uma universidade independente de jornalismo em Cuba. O dissidente disse que sua saúde foi muito prejudicada pela alimentação e pelas condições sanitárias ruins a que esteve submetido durante seus sete anos de prisão.

Futuro

Os exilados cubanos agora vivem em acomodações temporárias, nos arredores da capital espanhola.

Muitos deles estão acompanhados das esposas depois de sete anos de separação, mas, segundo Hernandez, o futuro dos refugiados é incerto.

Alguns dos ex-prisioneiros acreditam que não será fácil encontrar emprego no país. Outros falam em tentar se mudar para os Estados Unidos. Todos afirmam que prefeririam voltar à Cuba.

 

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