Dissidentes do partido de Blair preparam grande ato contra a guerra

Enquanto o primeiro-ministro britânico Tony Blair tenta angariar apoio para uma possível ação militar contra o Iraque, dissidentes do seu próprio partido, o Trabalhista, convocaram o público a participar de um protesto antiguerra. "Uma enorme manifestação em 28 de setembro pode fazer Tony Blair pensar duas vezes", anunciou a Coalizão Pare a Guerra, dizendo esperar 100.000 manifestantes em Londres no sábado.Em outras nações européias onde governos têm deixado claro a oposição a uma ação dos EUA sem o aval das Nações Unidas, tem havido pouco protesto público. O movimento antiglobalização, entretanto, tem levantado a bandeira contra a guerra ao Iraque e vai acená-la em manifestações planejadas para outubro e novembro na Itália.Blair tem sido o mais determinado aliado do presidente dos EUA George W. Bush, mas alguns dos mais eloqüentes opositores da política norte-americana são legisladores do Partido Trabalhista. Alguns de seus ministros têm expressado reservas à disposição dos EUA de conseguirem uma "mudança de regime" em Bagdá.A manifestação de sábado pode ser um momento delicado para Blair. A divulgação na terça-feira pelo governo de um dossiê sobre as armas de Saddam não esmoreceu os oposicionistas - a maioria da ala esquerdista do partido. A trabalhista Alan Simpson classificou o dossiê - detalhando alegações de que o Iraque tem armas químicas e biológicas e busca desenvolver nucleares - de "profundamente falho"."Infelizmente, acho que Bush vai atacar o Iraque assim como um bêbado ataca uma garrafa", disse Simpson. "Ele tem de satisfazer sua sede de poder e de petróleo".George Galloway, um parlamentar que visita freqüentemente o Iraque e defende a suspensão das sanções contra o país, advertiu: "Se o Bush desembarcar meio milhão de botas no Iraque presas apenas a pés de americanos e aplaudidas apenas pelo general Ariel Sharon (o primeiro-ministro de Israel), ele vai acabar marchando pelo inferno e muitos arrumadinhos ianques vão voltar para casa num terno de plástico". E acrescentou: "O ódio das massas árabes vai rolar pelas ruas de suas capitais como lava derretida e sabe-se lá quem será queimado".Simpson e Galloway são líderes da Coalizão Pare a Guerra, que organiza o protesto antiguerra de sábado junto com a Associação Muçulmana da Grã-Bretanha. Entre os oradores na manifestação estarão o prefeito de Londres, Ken Livingstone, o ex-inspetor de armas da ONU Scott Ritter, e Mick Rix e Bob Crow, os líderes de dois sindicatos que pararam o metrô londrino por 24 horas esta semana por melhores salários.Muitos britânicos parecem ter dúvidas em relação à política do governo para o Iraque. Uma pesquisa divulgada ontem mostrou que 70% dos britânicos são contra o país participar de uma ação militar liderada pelos EUA, mas 71% apoiariam uma guerra se houvesse o aval da ONU.

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