AFP PHOTO / YAMIL LAGE
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Dissidentes em Cuba querem encontro com Obama e discurso sobre direitos humanos

Apesar de não haver consenso entre grupos opositores ao governo de Raúl Castro em relação à viagem do presidente americano, a maior parte deles vê como "positiva" a iniciativa

O Estado de S. Paulo

19 de fevereiro de 2016 | 10h10

HAVANA - Vários dissidentes cubanos afirmaram na quinta-feira, depois da confirmação da viagem de Barack Obama à ilha que esperam que o presidente americano encontre "um espaço" para se reunir com a sociedade civil durante sua passagem por Cuba e se pronuncie sobre a situação dos direitos humanos no país.

Líderes de três grupos opositores ao governo cubano reagiram de forma distinta ao anúncio da viagem de Obama a Cuba nos dias 21 e 22 de março, mas concordaram em seus desejos de que os EUA sigam apoiando os esforços dos ativistas cubanos pela "democratização da sociedade".

José Daniel Ferrer, que lidera a dissidente União Patriótica de Cuba, vê como "muito positiva" a visita de Obama e garantiu que seu grupo lhe dedicará a "mais cordial das boas-vindas" em nome das "centenas de pessoas que lutam pacificamente pela democracia no país".

Ferrer ressaltou que os cubanos "respeitam e admiram" o presidente americano e advertiu que "as campanhas antiamericanas do governo cubano não surtiram efeito entre as pessoas". "Esperamos que tenha um espaço para ouvir as opiniões de um setor representativo da sociedade civil cubana", acrescentou o ativista.

Por sua parte, o opositor Manuel Cuesta Morúa, líder do Partido Arco Progressista de Cuba, destacou que, se Obama decidir reunir-se com representantes da dissidência, enviaria "uma mensagem clara" de apoio e reafirmaria a posição de seu país a favor do respeito às liberdades fundamentais e à democracia.

"Esta visita vai demonstrar também a enorme popularidade que Obama tem em Cuba, muito maior, com distância, que a de muitos dirigentes da ilha", comentou Cuesta Morúa.

Mais crítica com a visita, a dissidente Berta Soler, líder do grupo opositor Damas de Branco, pediu ao presidente americano que "pense bem" sobre sua viagem já que se reunirá com "um ditador" em um país onde "não se vê avanços" no tema de direitos humanos.

A ativista lembrou que no último dia 28 de janeiro as Damas de Branco divulgaram uma carta dirigida ao presidente americano na qual expressavam sua preocupação e asseguravam que em Cuba "haverá avanço em matéria de direitos humanos quando cessar a violência policial e não existirem presos políticos".

A líder das Damas de Branco declarou que também reivindicaram a Obama que peça uma anistia para os presos políticos e a cessação da violência contra ativistas, pontos fundamentais, segundo Soler, para que aconteça uma "reunião formal" com os dissidentes.

Obama anunciou na quarta-feira que viajará a Cuba nos dias 21 e 22 de março acompanhado por sua esposa, Michelle, com o que se transformará no primeiro presidente americano em exercício a visitar a ilha em 88 anos. / EFE

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