Dissidentes iraquianos transferem reunião que decidirá futuro governo

Dissidentes iraquianos têm uma nova data e local para uma planejada conferência de unidade, mas antigas divisões ameaçam escurecer o encontro, mesmo com os Estados Unidos pressionando os exilados para se prepararem para governar seu país.Hamid al-Bayati, um porta-voz dos organizadores da conferência baseado no Cairo, disse hoje que o encontro foi mudado de Bruxelas, Bélgica, para a Grã-Bretanha e está marcado para 10 e 11 de dezembro. Ele explicou que a mudança ocorreu devido "à resposta negativa" do governo belga.A conferência, que deve escolher um comitê que possa ser a base de um governo interino pós-Saddam, vem sendo repetidamente postergada, em parte devido a choques entre a oposição iraquiana dividida por questões sectárias, étnicas, de clã e políticas. As rivalidades tornaram-se mais intensas com as perspectivas de uma guerra dos EUA para derrubar Saddam.A conferência estava marcada inicialmente para setembro na Bélgica. Depois de uma primeira postergação para 22 de novembro, organizadores diziam na semana passada que o encontro poderia ser adiado por mais duas semanas, devido em parte ao fato de a maioria dos delegados ainda não ter recebido vistos belgas.O governo da Bélgica alegou que os delegados não deram tempo para o processo dos vistos. Os belgas também temiam parecer que estavam interferindo nos assuntos internos iraquianos permitindo o encontro em Bruxelas.Os EUA têm reiteradamente exortado os grupos de oposição iraquianos a se unirem e desenvolver planos para governar sua nação caso Saddam seja deposto.Segundo fontes da oposição, uma equipe dos EUA representando o Departamento de Estado, o Pentágono e o Conselho de SegurançaNacional ofereceu "um documento de princípios" que quer que os dissidentes usem como guia de suas atividades.O documento sublinha o apoio dos EUA a uma unificada conferência da oposição, mas deixa claro que Washington não apóia "uma assembléia nacional ou um governo provisório neste momento".O documento, do qual a AP obteve uma cópia, também propõe que qualquer governo pós-Saddam aceite incondicionalmente todas as resoluções da ONU, inclusive a que exige o desarmamento do Iraque.Al-Bayati, que além de porta-voz dos organizadores da conferência é um representante do Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque, um grupo xiita baseado no Irã, e Fouad Masoum, da União Patriótica do Curdistão, adiantaram que seus grupos não se comprometem com os termos do documento norte-americano."Isso é uma conferência iraquiana financiada por iraquianos. Vamos decidir o que acreditamos ser do interesse de nosso povo" afirmou Al-Bayati numa entrevista telefônica. Masoum destacou que o documento dos EUA não se refere a um sistema federal, a demanda central dos curdos iraquianos. "Vamos pegar o que for bom para nós e rejeitar o que não for", disse ele por telefone em seu escritório em Londres.Os curdos, assim como os muçulmanos xiitas, reclamam da repressão promovida pela comunidade minoritária muçulmana sunita que tradicionalmente domina a política iraquiana.Os seis grupos que planejam o encontro de unidade são o Movimento Monarquista Constitucional, liderado pelo primeiro primo do último rei iraquiano; o Acordo Nacional Iraquiano; o Congresso Nacional Iraquiano; o Partido Democrático do Curdistão; a União Patriótica do Curdistão; e o Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque.

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