Dissidentes libertados são retidos em Havana

Oito presos políticos e 28 parentes, que seriam transferidos ontem de Havana para Madri, tiveram de permanecer em Cuba. O governo espanhol disse que faltaram assentos nos voos da Iberia para transportá-los. Os dissidentes que já estão na Espanha, no entanto, acreditam que a retenção seja uma resposta do regime cubano aos pedidos de asilo.

Andrei Netto, correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2010 | 00h00

Para o dissidente Normando Hernández, que chegou esta semana a Madri, os governos de Cuba e Espanha teriam firmado um acordo para que os libertados não recebessem status de asilados. O objetivo seria não prejudicar a imagem de Havana na comunidade internacional. "Se a Espanha nos reconhecesse como refugiados, estaria admitindo que somos presos políticos e Cuba é uma ditadura", afirmou Hernández.

O impasse sobre o status dos dissidentes está aumentando as dúvidas sobre a permanência de todos na Espanha. Entre eles, há quem prefira não falar sobre o assunto.

Ontem, a insatisfação aumentou porque Augustín Santos, representante do Ministério das Relações Exteriores da Espanha, teria desmarcado uma reunião para tratar da legalização.

Até agora, apenas um dos dissidentes, o jornalista Pablo Pacheco, definiu seu futuro: ele se mudou para Málaga, sul do país, para viver em um conjunto habitacional com a família. Os demais permanecem divididos em quartos coletivos em uma hospedaria de baixo custo.

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