Asmaa Waguih/AP
Asmaa Waguih/AP

Dissolução do Parlamento reverte avanço, diz Irmandade

Grupo fundamentalista tornou-se o maior partido após as eleições legislativas

AE, Agência Estado

15 de junho de 2012 | 11h57

CAIRO - A Irmandade Muçulmana alertou nesta sexta-feira, 15, que a decisão da Suprema Corte do Egito de dissolver o Parlamento, que tinha maioria islamita, e deixar o último ex-primeiro-ministro do governo de Hosni Mubarak concorrer à presidência é um movimento que pode reverter os avanços da revolução.

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O grupo fundamentalista tornou-se o maior partido do Parlamento após as eleições legislativas, que foram vistas como a primeira votação democrática do Egito em décadas. No entanto, a decisão tomada na quinta-feira anulou a eleição e deixou o país sem um Legislativo.

O poder está ainda mais concentrado nas mãos dos generais que assumiram após a queda de Mubarak. A Irmandade volta agora suas expectativas para a eleição presidencial deste fim de semana, entre seu candidato, Mohammed Morsi, e o ex-primeiro-ministro de Mubarak, Ahmed Shafiq, visto por muitos com um símbolo do antigo regime.

O país enfrenta uma situação que está "ainda mais perigosa do que nos últimos dias do governo de Mubarak", disse a Irmandade em comunicado. A decisão da Suprema Corte foi tomada um dia depois de o governo militar ter concedido poderes para que a polícia militar e agentes de inteligência detenham civis.

A Irmandade afirmou que o progresso conquistado desde que Mubarak foi deposto, em 11 de fevereiro de 2011, está sendo "destruído e subvertido" e pediu que os egípcios "isolem os representantes do antigo regime através das urnas", referindo-se a Shafiq.

Um grupos de jovens chamado Movimento 6 de abril, que apoia Morsi, planeja uma marcha na Praça Tahrir na tarde de sexta-feira (horário local), chamada de "Não ao golpe militar disfarçado". A Irmandade não deverá participar.

"Nós vamos para as urnas dizer não aos perdedores, assassinos e criminosos", disse Morsi na quinta-feira, durante uma entrevista na televisão local. Ele também suavizou a retórica, dizendo que não vê a decisão da Suprema Corte como um golpe militar.

As informações são da Dow Jones.

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