Distúrbios deixam cinco mortos no Saara Ocidental

Polícia realizou operação para desmantelar campo de moradias e gerou protestos

Agência Estado e Reuters,

08 de novembro de 2010 | 13h21

Habitantes do Saara Ocidental reivindicam direitos socioeconômicos.

 

Atualizado às 20h47

 

LAAYOUNE - Cinco oficiais marroquinos foram mortos e quase 70 pessoas ficaram feridas nesta segunda-feira, 8,  quando forças marroquinas invadiram um campo no Saara Ocidental para conter o maior protesto contra o governo em décadas. 

 

Segundo a agência oficial marroquina MAP, quatro dos agentes morreram durante a intervenção em Gdaim Izik (dois gendarmes, um membro das Forças Auxiliares e outro da proteção civil), e um quinto das Forças Auxiliares foi apunhalado em Aaiún.

 

Um representante do governo do Saara Ocidental para a região de Laayoune, Mohamed Ghalous, disse que a polícia e outras forças auxiliares foram enviadas à região "para encerrar uma situação em que haviam sido exauridos todos os meios de diálogo".

 

A Frente Polisário, que busca um Estado independente na região, informou que as forças de segurança marroquinas mataram um ativista de 26 anos ao invadir o acampamento de protesto.

 

A polícia marroquina chegou no início desta segunda para desmantelar um campo de moradias com cerca de 12 mil pessoas, estabelecido há quatro semanas nas proximidades da principal cidade do Saara Ocidental. Essa região foi anexada pelo Marrocos no meio dos anos 1970.

 

Os confrontos entre a polícia e os manifestantes se disseminaram pelas ruas de Laayoune, principal cidade do Saara Ocidental. A informação sobre os confrontos foi divulgada pelo chefe marroquino de uma organização não governamental que atua na área.

 

O Saara ocidental, um território desértico escassamente povoado com tamanho próximo do Reino Unido, é objeto da disputa territorial mais antiga da África. A região conta com reservas de fosfatos, usados principalmente para a fabricação de fertilizantes.

 

A Frente Polisário, apoiada pela Argélia, enfrentou as forças marroquinas até que a ONU mediou um cessar-fogo em 1991. Desde então, houve várias rodadas de conversações que foram inúteis.

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