Distúrbios matam 113 no Quirguistão

Perseguição à minoria étnica usbeque causa fuga de 75 mil para a região de fronteira

NYT, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2010 | 00h00

BATKEN, QUIRGUISTÃO

Autoridades do Quirguistão tentavam ontem, sem sucesso, conter a violência étnica iniciada havia cinco dias no sul do pais, onde grupos da etnia quirquiz perseguiam membros da minoria usbeque. Pelo menos 113 pessoas foram mortas na região e, segundo estimativas do governo, 75 mil usbeques fugiam na direção da fronteira com o Usbequistão.

A maioria das vítimas tinha sido linchada ou morta no interior de suas casas, incendiadas pela turba de quirguizes.

As autoridades locais ainda não podiam estabelecer claramente qual teria sido o estopim da violência. O país passa por um período de turbulência política desde abril, quando violentos protestos de rua causaram a deposição do presidente Kurmanbek S. Bakiyev. O governo interino nunca conseguiu estabelecer seu controle sobre partes do sul do Quirguistão, onde partidários de Bakiyev se envolveram em repetidos confrontos com aqueles que são leais ao novo regime.

O país, um dos mais pobres da Ásia Central, abriga uma importante base militar americana nos arredores da capital, Bishkek, que é usada para apoiar a missão da Otan no Afeganistão.

No sábado, o frágil governo provisório quirguiz pediu à vizinha Rússia que enviasse forças de manutenção da paz, mas os russos rejeitaram o pedido ? oferecendo apenas o envio de ajuda humanitária.

"A situação na região de Osh fugiu do controle", disse no sábado a presidente interina Roza Otunbayeva. "As tentativas para estabelecer um diálogo fracassaram e os choques e saques prosseguem. Precisamos de ajuda externa para acalmar os ânimos."

"Choveu cinzas durante toda a tarde, grandes pedaços de cinza branca e preta", disse Andrea Berg, funcionária da Human Rights Watch em Osh. "A cidade está em chamas." Em certo momento os revoltosos tomaram dois blindados do Exército, que conseguiu recuperar apenas um deles. Segundo fontes locais, os soldados receberam ordens de atirar para matar, como tentativa de pôr fim aos distúrbios. /

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