Distúrbios matam 14 no Paquistão após fala de políticos

Pelo menos 14 pessoas já morreram na quinta-feira em Karachi, maior cidade do Paquistão, em incidentes desencadeados por declarações de um importante político local.

FAISAL AZIZ, REUTERS

14 de julho de 2011 | 09h27

Uma multidão enfurecida saiu pelas ruas causando distúrbios e queimando veículos depois que o ministro regional Zulfiqar Mirza, dirigente do Partido do Povo Paquistanês (PPP, governista), conclamou a população de Karachi e Hyderabad, segunda maior cidade da província de Sindh, a "se erguer... e se livrar" de um partido rival, o Movimento Muttahida Qaumi

(MMQ).

"Apelo ao povo de Karachi especialmente, e de Hyderabad, que se erga por si mesmo, pelo Paquistão, por Karachi e por seus filhos inocentes, e que se livre desses amaldiçoados", afirmou ele a jornalistas, referindo-se aos dirigentes do MMQ.

Em declarações transmitidas repetidamente pela TV, ele também acusou os mohajirs - descendentes dos falantes do idioma urdu que migraram da Índia - de serem ingratos com o lar que receberam com a criação do Paquistão, em 1947.

O ministro provincial do Interior, Manzoor Wasan, disse que 14 pessoas morreram e 25 ficaram feridas desde a noite de quarta-feira. Pelo menos uma pessoa foi morta em Hyderabad, segundo a polícia.

Vários protestos ocorreram em Karachi e outras cidades do Sindh, onde centenas de manifestantes queimaram pneus e imagens de Mirza, exigindo sua demissão do cargo de ministro provincial.

Em diversos bairros, tiroteios foram ouvidos a noite toda, e muitas ruas estão fechadas em Karachi.

Mirza depois recuou dos ataques verbais. "Minhas declarações ontem à noite foram minha visão pessoal, e não se destinavam a ferir os sentimentos de ninguém. Mas, se eu fiz isso, peço desculpas sinceramente", declarou em nota.

Karachi, com 18 milhões de habitantes, tem um longo histórico de violência étnica, religiosa e sectária. Como capital comercial do país, qualquer distúrbio ali pode ter sérias consequências econômicas para o Paquistão.

Na semana passada, outros distúrbios étnicos e políticos na cidade já haviam deixado mais de cem mortos.

(Reportagem adicional de Hamid Shaikh em Hyderabad e Zeeshan Haider em Islamabad)

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