Distúrbios por prisão de chefe do tráfico matam 2 na Jamaica

Possível extradição de Christopher Coke para os EUA causa protestos e[br]governo baixa estado de emergência na capital

KINGSTON, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2010 | 00h00

Dois policiais foram mortos e outros seis ficaram feridos em violentos confrontos na capital da Jamaica, Kingston. No domingo, o primeiro-ministro jamaicano, Bruce Golding, declarou estado de emergência depois que simpatizantes do traficante Christopher "Dudus" Coke iniciaram uma onda de violência em protesto contra os planos de extraditá-lo para os EUA.

Coke intitula-se "líder comunitário", mas é procurado nos EUA por liderar uma gangue envolvida no tráfico internacional de drogas e armas. Ele seria chefe da Shower Posse, organização que seu pai, Lester Coke, chefiava antes de morrer num incêndio misterioso em sua cela de prisão, em 1992, antes de ser extraditado para os EUA.

Três postos policiais foram atacados. Os policiais morreram ao atender um pedido de socorro de uma motorista que teria sido atingida por um tiro. Em Tivoli Gardens, bairro da zona oeste de Kingston onde o líder da gangue está escondido, moradores ergueram barricadas e trocaram tiros com policiais.

Soldados romperam as barricadas e invadiram Tivoli Gardens para promover uma busca de casa em casa pelo traficante. Segundo testemunhas, militares e civis teriam sido mortos, mas não há confirmações oficiais.

Movido pela agitação crescente, o governo fez ontem uma reunião de emergência para tentar impedir que a situação fique fora de controle. O estado de emergência deve vigorar durante um mês.

Os confrontos começaram depois que o primeiro-ministro disse estar disposto a extraditar Coke. Antes, ele argumentava que os resultados do grampo - que foi realizado pelos autoridades jamaicanas e levou ao indiciamento de Coke - tinham sido obtidos ilegalmente por procuradores americanos.

Após protestos do governo Barack Obama e de políticos de oposição, o premiê concordou em atender ao pedido de extradição. Se for julgado e condenado pela Justiça americana, o criminoso pode ser condenado à prisão perpétua.

A gangue é acusada de centenas de mortes associadas às drogas nos EUA nos anos 80 e de comandar uma grande operação de tráfico de cocaína e maconha. Ele ainda usaria a receita do narcotráfico para comprar armas nos EUA.

O Departamento de Estado afirmou que a Embaixada dos EUA na Jamaica suspendeu parte de seus serviços por causa da crítica situação da segurança no país. A missão diplomática foi fechada ontem por conta de um feriado, mas hoje deve reabrir com serviços limitados, disse o porta-voz Philip Crowley.

Envolvimento político. Os principais partidos políticos da Jamaica possuem laços com gangues de bairro, que fornecem votos em troca de favores políticos. Coke, que comanda uma empresa de consultoria com contratos vultosos do governo, é ligado ao Partido Trabalhista Jamaicano, liderado pelo premiê. Até recentemente, Coke era representado por um destacado senador e advogado criminalista escolhido pelo partido governante, Tom Tavares-Finson. /NYT e AFPD

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.