Lewis Whyld/AP Photo
Lewis Whyld/AP Photo

Distúrbios raciais deixam 48 presos em Londres

Moradores de bairro de imigrantes saqueiam lojas e queimam carros após protesto contra polícia sair de controle

, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2011 | 00h00

LONDRES

A morte de um homem negro de 29 anos pela polícia provocou protestos violentos, saques e incêndios na madrugada de ontem em Tottenham, no norte de Londres. Ao menos 26 policiais ficaram feridos e 48 pessoas foram presas. Apesar do clima de tensão durante o dia no subúrbio da capital britânica - onde vivem muitos imigrantes negros da África e do Caribe - novos tumultos ocorreram ontem à noite em Enfield, a 8 km de Tottenham. Jovens atacaram lojas, saquearam duas delas e danificaram um carro da polícia. Para evitar mais protestos, a polícia reforçou o patrulhamento nas ruas.

Entre 300 e 500 pessoas se reuniram no final da noite de sábado em frente à delegacia de Tottenham para protestar contra a morte de Mark Duggan, de 29 anos, ocorrida na quinta-feira. Ele estava em um táxi quando uma patrulha da Scotland Yard, a polícia londrina, que conduzia uma operação contra crimes relacionados ao tráfico de drogas, parou o veículo e abriu fogo. Há relatos não confirmados de que ele teria atirado em um policial.

Segundo o jornal britânico The Guardian, a violência começou quando a polícia reagiu desproporcionalmente a uma pedra arremessada por uma adolescente de 16 anos. Os manifestantes tentaram invadir a delegacia, e atacaram uma barreira policial com bombas incendiárias, pedras, garrafas, e pedaços de pau.

Um ônibus de dois andares e dois carros da polícia, além de um prédio, foram incendiados. Os manifestantes também saquearam uma loja de produtos eletrônicos. Uma tropa de choque foi enviada ao local, e policiais a cavalo tentaram dispersar os revoltosos, com o apoio de um helicóptero. Bombeiros combateram os incêndios.

Somente na manhã de ontem a situação se acalmou. Nas ruas, restaram apenas carcaças de carros, detritos e fumaça. A família de Duggan condenou a violência e criticou a versão de que o jovem teria trocado tiros com a polícia. "Não concordamos com isso (a violência) de maneira alguma. O que aconteceu foi um efeito dominó", disse o irmão de Duggan, Shaun Hall.

Repercussão. A Scotland Yard lamentou o episódio que levou aos protestos, e responsabilizou "gangues" pelos distúrbios. "A violência é completamente inaceitável", afirmou a polícia londrina em comunicado. "O comportamento de uma minoria criminosa colocou em risco a vida de policiais, moradores e bombeiros."

O premiê britânico, David Cameron, também condenou o confronto. "Foram distúrbios inaceitáveis", declarou. O deputado David Lammy, que representa Tottenham no Parlamento, lamentou os enfrentamentos. "Estou preocupado que um protesto pacífico tenha se transformado nisso", disse. "Nossa comunidade já estava sofrendo demais."

Os protestos ocorrem em um mau momento da economia britânica. Tottenham tem um dos maiores índices de desemprego de Londres. "As pessoas estão frustradas", disse a moradora Uzodinma Wigwe. "Estamos sendo negligenciados pelo governo."

A polícia londrina já estava sob críticas por causa do escândalo de grampos do jornal The News of The World, que levou à renúncia de seus dois principais diretores. / AP e REUTERS

PARA LEMBRAR

No final de 2010, a Grã-Bretanha foi sacudida por uma série de protestos estudantis contra o aumento nas taxas de matrícula das universidades do país. As maiores manifestações aconteceram em Londres, mas houve passeatas em outras cidades, como Birmingham, Leeds, Sheffield, no País de Gales e na Escócia.

O carro do príncipe Charles e de sua mulher, Camilla Parker-Bowles, chegou a ser atacado com ovos pelos manifestantes. Entre novembro e dezembro, cerca de 200 estudantes foram presos pela polícia após tentarem invadir a sede do Partido Conservador e por destruição de propriedade pública. O aumento das taxas acabou aprovado pelo Parlamento.

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