Ditador birmanês pode dialogar

Mas exige que líder opositora mude ''''atitude de desafio''''

O Estadao de S.Paulo

05 de outubro de 2007 | 00h00

A imprensa oficial de Mianmar, a antiga Birmânia, publicou ontem que o general Than Shwe, chefe da junta militar que governa o país, propôs ao enviado especial da ONU Ibrahim Gambari um diálogo direto com a líder opositora Aung San Suu Kyi, caso ela ''''desista de incentivar os protestos contra o governo e pare de pedir que mais sanções sejam impostas ao país''''.Foi a primeira vez em 15 anos que a junta birmanesa se ofereceu para negociar com Suu Kyi. A opositora, que ganhou o Nobel da Paz de 1991, está em prisão domiciliar em Rangum desde 2003.Depois de ter reprimido os protestos e detido a maioria dos líderes da oposição, o Exército voltou ontem a realizar prisões em massa, principalmente durante a madrugada. Grupos de dissidentes afirmaram que a junta militar já levou à prisão mais de 6 mil pessoas. A televisão estatal birmanesa confirmou ontem, pela primeira vez, a detenção de pelo menos 2 mil pessoas, das quais 692 já teriam sido libertadas.PROPAGANDAApesar da calma, soldados continuaram ontem a patrulhar ostensivamente as ruas de Rangum, a internet permaneceu fora do ar e o regime militar começou uma campanha maciça de propaganda nos jornais oficiais, que exibiram slogans como ''''somos contra a violência'''' ou ''''somos a favor da paz''''. Nas mesmas páginas, a junta distribuiu acusações aos governos estrangeiros, que estariam ''''orquestrando a destruição de Mianmar''''.A cobertura oficial da crise destacou também passeatas pró-governo realizadas por todo o país, especialmente uma que teria reunido 36 mil pessoas na cidade de Myiek, no sudeste de Mianmar. Na semana passada, os protestos contra a ditadura chegaram a reunir 100 mil pessoas.Citando uma entrevista com um diplomata estrangeiro, o site dissidente Irrawaddy confirmou a informação de que a família do general Than Shwe fugiu do país assim que o Exército começou a reprimir os protestos, na semana passada. A mulher de Shwe, de acordo com o Irrawaddy, estaria com os filhos em Cingapura, esperando que a situação em Mianmar se acalme para voltar para casa. REUTERS, FRANCE PRESSE, ASSOCIATED PRESS, EFE E NEW YORK TIMES

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