Ditador dá sinais de que pretende lutar até o fim

Análise: Anne Gearan / Washington Post

É JORNALISTA, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2012 | 03h09

Enquanto os exércitos rebeldes da Síria apertam o cerco, o presidente Bashar Assad não dá nenhuma indicação de querer deixar o poder, aumentando as perspectivas de um longo e sangrento capítulo final potencialmente desastroso para a guerra civil do país. Ao mesmo em que suas tropas enfrentam os rebeldes em Alepo e outras cidades, Assad rejeita novos apelos para aceitar o exílio com sua família - e manifesta a confiança de que suas tropas vencerão, dizem funcionários americanos e analistas.

Os comentários públicos e privados do ditador sugerem que ele está disposto a seguir o exemplo do líbio Muamar Kadafi, arriscando a vida por seu regime. Em Washington e nas capitais do Oriente Médio cresce o consenso de que Assad - anteriormente considerado moderado e capaz de reformas - será forçado a deixar o poder apenas se for morto ou capturado. "Não haverá mais negociações", disse Jeffrey White, ex-analista sênior para o Oriente Médio da Agência de Inteligência de Defesa no Pentágono. "Ele cairá lutando e provavelmente em Damasco." Especialistas que estudaram as recentes aparições em público de Assad o descrevem como cada vez mais distante da realidade. Embora afirmem que Assad não é estúpido nem covarde, dizem que o ditador aparentemente acredita na própria retórica, considerando-se o salvador de seu clã étnico, dos alauitas, e a personificação do Estado sírio. Também parece não se impressionar com sua condição de marginal, afirmam.

"Assad é um ditador moralista, obcecado pela conspiração, que até o momento não deu nenhuma indicação de estar disposto a sair calmamente no meio da noite", disse um funcionário americano. "Como ocorreu com outros ditadores antes dele, sua arrogância o levará a tomar decisões erradas." Embora seja impossível prever com certeza o que Assad fará se encarar a derrota iminente, até agora suas medidas sugerem que ele quer intensificar ainda mais a repressão.

O endurecimento da determinação de Assad nas últimas semanas praticamente destruiu as esperanças de um acordo político para apressar sua saída e reduzir o risco de uma luta intensa quarteirão por quarteirão nas maiores cidades da Síria. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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