Ditador iemenita faz nova oferta à oposição

Saleh se reúne com a oposição e promete formar governo interino até realização de eleições

Reuters,

30 Março 2011 | 11h35

O ditador iemenita, Ali Abdullah Saleh, fez uma nova oferta aos manifestantes que exigem sua renúncia. Ele propôs ficar no cargo até que eleições sejam realizadas mas transferindo seus poderes a um governo interino, disse uma fonte da oposição nesta quarta-feira.

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Saleh fez a proposta em uma reunião na noite de terça-feira com Mohammed al-Yadoumi, líder do partido islamita Islah. Foi a primeira vez que Saleh tratou com o Islah, outrora um parceiro do governo, afirmou um porta-voz oposicionista.

"A oposição pode escolher um chefe de governo de sua preferência e haverá eleições parlamentares no final do ano", informou uma fonte da oposição sobre a oferta de Saleh. Ele disse que a oposição ainda estuda uma resposta.

O xeque Hamid al-Ahmar, líder tribal que pertence ao partido Islah, disse à Reuters na terça-feira que sua agremiação e a oposição podem lidar com a questão da militância melhor do que Saleh, cujo governo ele disse não confrontá-la seriamente.

"Acho que os iemenitas seriam capazes de livrar o Iêmen do terror em meses", declarou Ahmar, acrescentando que os Estados Unidos e países europeus deveriam pedir diretamente a renúncia de Saleh.

Semanas de protestos de milhares de iemenitas em Sanaa e outras cidades levaram o governo de 32 anos de Saleh à beira do colapso, mas os Estados Unidos e a Arábia Saudita, maior produtora de petróleo do mundo e investidora chave no Iêmen, estão preocupados com que sucederia seu aliado.

Há muito os dois países veem Saleh como um muro de arrimo que pode impedir a Al-Qaeda de ampliar sua influência em um país que muitos enxergam próximo da desintegração. A Al-Qaeda do Iêmen assumiu a responsabilidade por uma tentativa frustrada de explodir um avião rumo a Detroit no final de 2009 e bombas destinadas aos EUA enviadas em outubro de 2010.

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