Ditador pede à ONU 'tempo para pensar'

Na Turquia, funcionária das Nações Unidas diz que pediu a Assad acesso ilimitado para agências humanitárias

ANTAKYA, TURQUIA, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2012 | 03h07

A subsecretária-geral da ONU para Assistência Humanitária, Valerie Amos, afirmou ontem ter obtido a concordância do governo da Síria em fazer uma "avaliação limitada" das necessidades dos civis em conjunto com as agências das Nações Unidas. Valerie disse ter pedido que as agências humanitárias tenham "acesso ilimitado" à população, mas o governo pediu "mais tempo para pensar".

"Chegamos a um acordo para uma missão de avaliação humanitária preliminar conjunta", declarou Valerie, depois de se reunir na quinta-feira com o ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid al-Moallem. "Esse é um primeiro passo necessário, mas continua sendo essencial que um arranjo robusto e regular seja posto em prática, permitindo às organizações humanitárias acesso ilimitado para retirar os feridos e entregar suprimentos desesperadamente necessitados."

A subsecretária da ONU fez as declarações em Ancara, depois de uma visita-surpresa ao campo de refugiados de Bohsin, do lado turco da fronteira com a Síria. Ela estava em uma tenda com oito representantes dos refugiados quando Wasim Sabbagh, um morador do campo, conseguiu driblar a segurança e entrar.

Sabbagh disse que seus interlocutores não representavam de fato os moradores, apresentou queixas sobre comida, escassez de banheiros (segundo ele apenas 12 para 2 mil pessoas) e sobre o fato de os 11 mil sírios espalhados por 6 campos não terem ainda recebido o status de refugiados, embora tenham começado a chegar há nove meses. Sabbagh entregou uma carta a Valerie, que prometeu ler.

"Ao assinar a Convenção da ONU para Refugiados de 1951, a Turquia assegurou seu direito de reconhecer as pessoas que buscam refúgio vindo tanto do leste quanto do oeste", disse ao Estado um funcionário do Ministério das Relações Exteriores turco. "Esse é um direito que emana da convenção. É nesse contexto que a Turquia não está oferecendo o status de refugiado àqueles que provêm de suas fronteiras do sudeste. Mas os moradores dos campos recebem status de proteção temporária."

O funcionário disse também que, ao contrário do que o Estado publicou na quinta-feira, os refugiados podem sair dos campos, e a imprensa pode entrar neles, mediante autorização da chancelaria. / L.S.

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